De olho no conflito no Oriente Médio, mercado tem semana de decisões sobre juros no mundo

Uma image de notas de 20 reais

São Paulo, 13 de março de 2026 – Os olhos do mercado financeiro mundial seguem voltados para osdesdobramentos do Conflito no Oriente Médio, que gerou mais uma semana de aversão ao risco. Para apróxima semana, mais um ingrediente será inserido neste receita: a Super Quarta, com a definiçãodos juros aqui e nos Estados Unidos. BCs na Inglaterra, Japão, China e Zona do Euro tambémdiscutem juros.

A disparada do petróleo renovou as preocupações inflacionárias e as decisões sobre políticamonetária deverão ser pautadas pela cautela. No Brasil, a aposta quase consensual do mercado seguesendo no início ciclo de cortes. Mas a abertura da semana traz uma indefinição sobre o tamanhodesse corte: 0,25 ponto ou 0,50 ponto percentual.

As opções de Copom da B3 inverteram de expectativa nessa semana. Na manhã da sexta, a aposta decorte de 0,25 ponto subiu para 51%. Um corte de 0,50 ponto, que era maioria antes do Conflito,recuou para 39%. E há ainda 10% de aposta de manutenção da Selic em 15% ao ano. No comunicado, omercado deverá procurar sinais sobre o impacto do conflito.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção das taxas de juros. A ferramenta FedWatch doCME aponta em 99,2% a possibilidade de manutenção. O Federal Reserve publicará também asprojeções, que já podem refletir os efeitos do conflito no Oriente Médio, como mudanças nasprevisões de crescimento do PIB, inflação e taxa de desemprego.

O BCE também deve manter os juros, mas há quem acredite que o banco estaria pronto para voltar asubi-los, caso os combustíveis voltem a ficar mais caros e pesem na inflação. O BOE, que atéantes da guerra no Irã deveria cortar os juros em março, deve manter uma posição mais cautelosa.

Na agenda doméstica, segunda, às 8h25, sai o boletim Focus. Um pouco mais tarde, o Banco Central(BC) vai divulgar o IBC-Br de janeiro. Na terça, o IGP-10 será publicado às 8h. E na quarta,todas as atenções voltadas para a definição da Selic, após o fechamento do mercado, a partirdas 18h30.

Política

Há cada semana a corrida eleitoral ganha mais força em Brasília. Todos os passos de governo eoposição são pautados pelas pesquisas e pela disputa eleitoral em outubro. Nesta semana, odesdobramentos do caso Master, uma nova rodada de pesquisas e a decisão do governo de isentarPIS/Cofins do diesel movimentaram o tabuleiro em Brasília.

Em relação ao Caso Master, governo e oposição tentam medir os impactos na campanha. Porenquanto, o foco está no Supremo Tribunal Federal (STF). O desgaste tem sido maior para osministros Luís Toffoli – que se declarou suspeito para julgar a instação da CPI do Master – eAlexandre de Moraes, que divulgou notas tentando se desvincular do nome de Daniel Vorcaro.

O governo tenta se manter afastado, mas o desgaste do STF, em uma primeira análise, traz maisprejuízos à imagem de Lula. No embate do o jurídico, a direita pode ganhar terreno, mas há otemor de que uma possível delação de Vorcaro envolva nomes de políticos da oposição queparecem estar enredado na teia de influência do dono do Master. O momento é de espera dos doislados.

Enquanto isso, pesquisas do Datafolha e da Quaest divulgadas ao longo da semana mostram aconsolidação e o crescimento de Flávio Bolsonaro na disputa com o atual presidente Luiz InácioLula da Silva. Os dois principais candidatos estão empatados em um segundo turno, indicando mais umpleito polarizado.

O crescimento de Flávio traz ao mercado os temores com o quadro fiscal. Quanto mais apertadaestiver a disputa, mais o governo deverá adotar medidas populistas. Com a disparada do petróleo emmeio ao conflito no Oriente Médio, Lula repetiu Bolsonaro e anunciou a isenção de PIS e Cofins nopreços do diesel, medida que pode ter um impacto de R$ 30 bilhões na arrecadação.

Internacional

O conflito no Oriente Médio continua a dominar os assuntos nas mesas de negociação, tendo opetróleo como locomotiva das preocupações. Os preços vêm sofrendo alta variação, a dependerdas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, ou de autoridades iranianas. O recém-eleitolíder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, falou que o país persa deve manter o Estreito de Ormuzfechado. Mais tarde, Donald Trump suspendeu as sanções por 30 dias ao petróleo russo que estáretido no mar, o que deu um alívio temporário nas cotações.

Essa volatilidade no mercado de petróleo mexe diretamente com as ações globais. Afinal, o preçoda commodity em elevação atinge a inflação, fazendo os preços de bens e serviços subirem. Issovai contra a tendência de bancos centrais – à exceção do Japão – de perspectivas de quedas dejuros, visto que os preços ao consumidor vinham em ritmo de queda.

Falando em bancos centrais, a semana que se inicia terá decisões de uma série deles, com aexpectativa de manutenção das taxas de juros em todas as instituições monetárias. O FEDpublicará também as projeções, que já podem refletir os efeitos do conflito no Oriente Médio,como mudanças nas previsões de crescimento do PIB, inflação e taxa de desemprego.

O BCE também deve manter os juros, mas há quem acredite que o banco estaria pronto para voltar asubi-los, caso os combustíveis voltem a ficar mais caros e pesem na inflação. O BOE, que atéantes da guerra no Irã deveria cortar os juros em março, deve manter uma posição mais cautelosa.

BOJ poderá também manter os juros inalterados, e não apenas por cautela. A inflação no paísapresentou quedas recentes, o que tira da frente, pelo menos por enquanto, a necessidade de subir astaxas – mas tudo depende do andar do conflito no Oriente Médio. Por fim, o PBOC poderá manter osjuros. Havia uma expectativa que a autoridade monetária chinesa pudesse cortá-los, para incentivaro consumo, mas o cenário nebuloso da guerra no Irã pode adiar essa proposta.

Além da decisão do Fed, os EUA vão divulgar os índices de atividade industrial do Fed Nova Yorke do Fed Filadélfia, a produção industrial e capacidade utilizada, a confiança das construtoras,as vendas pendentes de imóveis e a de imóveis novos, o índice de preços ao produtor, os estoquesde petróleo e os pedidos de seguro-desemprego.

Na zona do euro, teremos a leitura revisada do índice de preços ao consumidor e o saldo dabalança comercial. A Alemanha divulga o índice ZEW de sentimento econômico e índice de preçosao produtor. O Reino Unido publica a taxa de desemprego.

O Japão publica o saldo da balança comercial e a produção industrial. A China divulga aprodução industrial, as vendas no varejo. Por fim, a OCDE publicará seu relatório trimestral doPIB dos países do G20.

Empresas

O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã está longe de acabar e traz incertezasàs economias de todo o mundo, devido ao forte impacto no mercado de combustíveis. Assim, o assuntoé o principal tema econômico do momento, e no Brasil, o tema direciona as atenções para aPetrobras e para os demais players de produção e distribuição de combustíveis.

Para conter os efeitos da forte elevação da cotação do petróleo no exterior, o governo federalanunciou duas medidas com o objetivo de gerar um alívio de R$0,64 por litro do diesel nas bombas. Aprimeira zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, eliminando os únicos tributos federaiscobrados sobre o combustível, com impacto estimado de redução de R$0,32 por litro. A segunda, foia subvenção, por meio da Medida Provisória 1.340/2026, que prevê o pagamento de R$0,32 por litroa produtores e importadores de diesel, que deverão repassar esse valor.

O pacote também prevê ampliar os instrumentos de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo,Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com o objetivo de garantir que a queda de preços chegue aoconsumidor final.

Em seguida, a Petrobras anunciou, nesta sexta-feira, a adesão da companhia ao programa desubvenção econômica à comercialização de óleo diesel, instituído pela MP 1340, e o aumentodos seus preços de venda do diesel A para as distribuidoras em R$ 0,38 por litro, válido a partirde amanhã (14/03).

Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o ajuste é equivalente aR$0,32 por litro sobre o diesel B comercializado nos postos. Dessa forma, o preço médio do dieselA praticado pela companhia para as distribuidoras passará a ser R$3,65 por litro, e aparticipação da Petrobras no preço do diesel B comercializado nos postos será, em média, deR$3,10, segundo a Petrobras.

Ainda na quinta-feira (12), o governo federal realizou uma reunião com as principaisdistribuidoras privadas na sede do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília. O encontroteve como foco principal a garantia do abastecimento e a redução do impacto dos preçosinternacionais sobre o combustível no mercado brasileiro.

As distribuidoras de combustíveis presentes no encontro respondem por cerca de 70% do mercado decombustíveis no Brasil e sugeriram ao governo federal que a Petrobras amplie a importação dediesel para garantir abastecimento e estabilidade de preços no país. As empresas manifestarampreocupação com a importação do diesel e avaliam que a estatal tem maior capacidade financeirae logística para lidar com a volatilidade dos preços internacionais. A informação foi dada pelovice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços,Geraldo Alckmin, à Agência Brasil, após a reunião.

Outro assunto importante nesta semana foram as recuperações extrajudiciais da Raízen e do GrupoPão de Açúcar.

Nesta sexta-feira, a Raízen confirmou que a Justiça de São Paulo aprovou o seu pedido derecuperação extrajudicial, abrindo caminho para que a companhia renegocie R$65,1 bilhões emdívidas com credores. A decisão ratifica a suspensão, pelo prazo de 180 dias, de todas as açõese execuções contra a companhia em relação aos créditos abrangidos pela recuperaçãoextrajudicial, o que inclui a suspensão da exigibilidade de principal, juros e demais acréscimosdurante esse período e concedeu o prazo de 90 dias para que a companhia demonstre o alcance dequórum para homologação de plano de recuperação extrajudicial.

O mercado avalia os efeitos do processo, como uma possível volatilidade nos preços de títulosnegociados no mercado, além de impactos sobre fundos de crédito privado e da cadeia doagronegócio (Fiagros).

Balanços

A temporada de resultados trimestrais das companhias ligadas ao agro listadas na B3 finalmente seráconcluída nas próximas duas semanas com as divulgações de Minerva, MBRF, Petroreconcavo, BoaSafra, JSL, Armac, JBS e Vamos (veja o calendário no final do texto).

A última semana teve como destaque os resultados do quarto trimestre e de 2025 de Cosan, Prio,Vibra, Brava e SLC Agrícola.

A Cosan reportou um prejuízo líquido de R$5,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, um recuo de38% em relação ao prejuízo de quase R$9,3 bilhões registrado no mesmo período de 2024, segundorelatório apresentado na noite de segunda (9).No acumulado do ano passado, o prejuízo totalizouR$9,7 bilhões, alta de 3% em comparação ao prejuízo de R$9,4 bilhões registrado em 2024. Oresultado foi majoritariamente explicado pelo prejuízo reportado na Raízen. Na comparação anual,a variação de 3% reflete, principalmente, o reconhecimento do impairment das ações da Vale,ocorrido em 2024.

A Prio registrou prejuízo líquido de US$185,4 milhões no quarto trimestre de 2025, ante lucro deUS$1,07 bilhão um ano antes. A receita líquida foi de US$586,1 milhões, um aumento de 20%, e oebitda ajustado somou US$341,4 milhões, alta de 6%, na mesma base de comparação.

A SLC Agrícola reportou prejuízo líquido de R$70,799 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25),um crescimento de 37,9% em relação ao prejuízo de R$51,350 milhões no mesmo trimestre de 2024. Acompanhia atribuiu a variação negativa de R$19,5 milhões, principalmente, ao aumento do resultadobruto, refletindo a melhora operacional das culturas, à elevação nas despesas. Já a variaçãopositiva foi devido à variação cambial positiva, que parcialmente compensou o aumento dos jurosno período; o impacto positivo nos impostos sobre o lucro, na comparação entre os trimestres. Noacumulado de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 565,213 milhões, aumento de 17,3% emrelação ao ano anterior; a receita líquida alcançou R$ 8,6 bilhões, crescimento de 23,7%,refletindo recordes históricos de volume e receita faturada; e o ebitda ajustado totalizou R$ 2,6bilhões, com margem de 31,2%.

A Vibra registrou lucro líquido de R$679 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), alta de 33,1%na comparação anual. Em base ajustada, o lucro líquido somou R$615 milhões, aumento de 20,5% nacomparação anual. A receita líquida ajustada foi de R$50,4 bilhões no período, 13,5% maior queo visto no mesmo intervalo do ano anterior. “No quarto trimestre de 2025, a Vibra manteve atrajetória de crescimento observada ao longo do ano, com expansão de volume e margens comerciais.O volume comercializado atingiu 9,5 milhões de m3, o melhor resultado dos últimos 12 trimestres,gerando receita líquida ajustada de R$50,5 bilhões”, comentou o CEO da empresa, Ernesto Pousada,no relatório.

A Brava Energia registrou prejuízo de R$588 milhões no 4T25, redução de 43% ante o 4T24. Areceita líquida somou R$2,5 bilhões (+31%) e o ebitda foi de R$509 milhões (+29%).

Confira o calendário:

MARÇO18/3 – Quarta-feira após fechamento do mercadoMinerva (4T25) – Teleconferência no dia 19/3, às 9h.MBRF (Marfrig e BRF, 4T25) – Teleconferência no dia 19/3, às 10h.Petroreconcavo – Teleconferência no dia 19/3, às 10h.

24/3 – Terça-feiraBoa Safra (4T25)JSL (4T25)

25/3 – Quarta-feiraArmac (4T25)JBS (4T25)Vamos (4T25)

Cynara Escobar, Dylan Della Pasqua e Vanessa Zampronho / Safras News

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