Depois de subir 6,54% em 2024, IGP-M cai 1,05%. "Ambiente de menor pressão de custos para 2026"

Uma image de notas de 20 reais
Café em grão sobe 5,03%, mas em pó e torrado & moído sobem acima de 46%
(Reprodução)
  • Dos três grupos, o de maior peso (IPA, preços ao produtor) varia -3,35%. IPC (preços ao consumidor) sobe 4,08% e INCC (construção), 6,10%
  • Economista Matheus Dias, do FGV Ibre: "Ano de 2025 é marcado pela desaceleração da atividade global e elevada incerteza"
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV), fechou 2025 com deflação de 1,05%. No ano passado, havia registrado inflação de 6,54%. Mas com resultados distintos entre seus três componentes. O de maior peso (IPA, preços ao produtor) variou -3,35% em 2025, depois de +7,24% em 2024. Já o IPC (preços ao consumidor) e o INCC (custos de construção) subiram 4,08% e 6,10%, respectivamente – no ano anterior, 4,02% e 6,34%. Segundo o economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), o ano “marcado pela desaceleração da atividade global e elevada incerteza” teve impacto, principalmente, nos preços ao produtor. “Além disso, a melhora das safras agrícolas contribuiu para aliviar preços de matérias-primas, reforçando o movimento de deflação.”

Os dados da FGV mostram o café como uma das principais influências do ano, tanto para o produtor como para o consumidor. Nos dois casos, próximo de 50%. No IPC, a conta de luz também pesou, acima como planos de saúde e refeições. Na outra ponta, itens como passagem aérea e alguns produtos alimentícios (arroz, batata, leite e laranja) ficaram mais barato. Em relação ao INCC, o que mais pesou foi a mão de obra. Confira abaixo a relação das principais influências (positivas e negativas) em 2025.

Ainda no caso do IPC, segundo Dias, a inflação seguiu em alta moderada, com pressões concentradas em serviços e habitação. “Mas que ao longo do ano convergiram para o intervalo de tolerância da meta”, afirmou. “Esse contraste [entre os índices] evidencia a heterogeneidade da inflação e sugere um ambiente de menor pressão de custos para 2026.” Porém, acrescenta o economista, “com riscos importantes em itens sensíveis à atividade econômica”. Principalmente se houver “maior resiliência na transmissão dos efeitos da política monetária.”

Escolhas do Editor

Dos oito grupos que compõem o IPC, Alimentação teve alta de 4,03% no ano, com desaceleração em relação a 2024 (5,97%). Habitação passou de 2,67%, no ano passado, para 5,61% agora. Saúde e Cuidados Pessoais, de 4,46% para 5,41%. Transportes, de 4,45% para 3,13%. Apenas em dezembro, o IPC variou 0,24%, ante 0,25% no mês anterior. Dos oito itens, três tiveram deflação: Alimentação (-0,07%), Saúde e Cuidados Pessoais (-0,09%) e Vestuário (-0,60%). Entre as principais influências de alta, estão passagens aéreas (+12,49% no mês), tarifa de eletricidade residencial (+1,61%) e refeições em bares/restaurantes (+0,61%). Do lado das baixas, tomate (-14,29%), leite longa vida (-4,89%) e perfumes (-5,58%). No IPA (-0,12% em dezembro), o minério de ferro subiu 2,42% e a carne bovina, 2,73%. Na influências negativas, leite in natura (-6,26%), óleo de soja em bruto (-5,60%), ovos (-5,41%), laranja (-6,21%) e café em grão (-1,83%).

Na semana passada, o IBGE divulgou os resultados finais do IPCA-15 em 2025. A chamada “prévia” da inflação oficial variou 0,25% em dezembro e fechou o ano com alta de 4,41% – abaixo de 2024 (4,71%). O grupo de maior variação e impacto foi Habitação: 6,69% e 1,01 ponto percentual. Destaque para o item energia elétrica residencial, com 11,95% de alta e 0,47 ponto de impacto. O grupo Alimentação vem em seguida, com 3,57% de alta e 0,77 ponto. As refeições fora do domicílio subiram 6,25% e os lanches, 11,34%. Entre os produtos, o café moído teve aumento de 41,84%. O preço do arroz caiu 26,04% e o da batata, 27,70%. O IPCA e o INPC de dezembro e de 2025 serão divulgados em 9 de janeiro.

Principais influências de alta em 2025

IPA
Café torrado e moído (+47,17%)
Álcool etílico anidro (+10,90%)
Café em grão (+5,03%)
Carne bovina (+4,10%)
Automóvel para passageiros (+4,93%)

IPC
Café em pó (+45,78%)
Tarifa de eletricidade residencial (+12,28%)
Refeições em bares e restaurantes (+7,80%)
Plano e seguro de saúde (+6,20%)
Aluguel residencial (+5,95%)

INCC
Tubos e conexões de PVC (+14,97%)
Engenheiro (+10,52%)
Armador ou ferreiro (+9,94%)
Bombeiro hidráulico (+9,81%)
Pedreiro (+9,66%)

Principais influências de queda em 2025

IPA
Arroz em casca (-48,55%)
Laranja (-43,02%)
Leite in natura (-15,21%)
Soja em grão (-6,16%)
Minério de ferro (-6,12%)

IPC
Batata inglesa (-32,16%)
Laranja pera (-32,13%)
Passagem aérea (-25,52%)
Arroz (-24,24%)
Leite longa vida (-8,40%)

INCC
Tela de aço soldada para concreto (-8,55%)
Vergalhões e arames de aço ao carbono (-6,93%)
Tela alambrado/Gradil metálico (-0,42%)
Material para instalação de gás (-0,20%)
Tubos e conexões de ferro e aço (-0,07%)

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