Desânimo, insegurança e medo do futuro dominam humor pré-eleitoral, aponta Datafolha

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um sentimento negativo prevalece no Brasil a sete meses das eleições. A maioria se diz insegura, desanimada e com medo do futuro quando pensa no país, mostra pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento, o sentimento mais predominante é a insegurança, citado por 69% dos entrevistados, enquanto 29% afirmaram se sentir seguros. Outros 2% declararam não saber.

Também são majoritárias as sensações de tristeza (59%), desânimo (61%) e medo do futuro (61%) em comparação com os índices de felicidade (38%), animação (37%) e confiança no futuro (37%).

Em geral, segundo o Datafolha, existe uma correlação entre sentimentos sobre o Brasil e a aprovação presidencial, com maior intensidade na relação entre desaprovação e humor negativo.

Entre aqueles que desaprovam o trabalho de Lula (PT), 93% se dizem inseguros (7%, seguros), 88%, desanimados (12%, animados), e 87%, tristes (contra 12% de felizes).

Já no grupo daqueles que aprovam o trabalho do presidente, a lógica se inverte: 53% afirmam se sentir seguros (44%, inseguros), 66%, animados (32%, desanimados), e 66%, felizes (31%, tristes).

O mesmo ocorre no cruzamento com a intenção de voto para presidente. Entre quem prefere Flávio Bolsonaro (PL), 89% afirmam se sentir inseguros, contra 41% de quem espera votar em Lula.

Em relação ao voto passado em 2022, 90% dos eleitores de Jair Bolsonaro se dizem inseguros, ante 46% daqueles que declararam ter votado no petista.

O fato de sentimentos negativos aparecerem de forma mais intensa entre quem desaprova o governo, votou em Bolsonaro ou pretende votar em Flávio indica um humor atravessado pela polarização.

O índice é alto também entre quem pretende outro caminho: entre quem declara voto em Ratinho Junior (PSD), 88% se dizem inseguros; em Romeu Zema (partido Novo), 81%; e em branco, nulo ou nenhum, 87%.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a percepção dos brasileiros em relação à economia do país piorou nos últimos meses, revertendo em parte melhora registrada em pesquisa feita no final de 2025.

De acordo com o levantamento, o percentual de quem acredita que houve piora na situação econômica do país subiu de 41% para 46% de dezembro passado a março.

Também existem mais entrevistados pessimistas sobre o futuro, inclusive em relação à própria condição financeira, e que preveem aumento da inflação e do desemprego —hoje nas mínimas históricas.

Os dados provêm de pesquisa realizada de 3 a 5 de março com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais. Ela está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-03715/2026.

O levantamento incluiu seis questões apresentadas em pares de alternativas opostas. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O sentimento majoritariamente negativo é um padrão na série histórica, mas recuou, em especial em relação a outubro de 2018, ou ao menos registrou níveis próximos aos já captados em anos anteriores.

Por exemplo, naquele ano, 88% dos brasileiros se diziam inseguros ao pensar no país, 79% relatavam tristeza, e 78% desânimo —acima do observado hoje, apesar das percepções continuarem majoritariamente negativas.

Naquela época, Lula estava preso, o Brasil se encontrava no final do governo de Michel Temer (MDB) e estava prestes a entrar em uma turbulenta eleição presidencial que alçou Jair Bolsonaro ao poder.

Já os números de maio de 2020, no início da pandemia de Covid-19, não diferem tanto em relação aos atuais. A insegurança batia 69%, o desânimo era o sentimento de 59% e o medo do futuro, de 57%.

As únicas respostas que atualmente dividem os brasileiros são a raiva (49%) em contraposição com a tranquilidade (47%) e mais medo que esperança (51%) contra mais esperança que medo (48%).

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