Dólar cai com alerta da China sobre títulos americanos; Bolsa sobe

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registra forte queda nesta segunda-feira (9), reagindo a um alerta de autoridades chinesas a instituições financeiras do país para reduzir a exposição a títulos do Tesouro americano, os Treasuries, e a um cenário de maior apetite a risco.

A participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em um evento promovido pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos), assim como a temporada de balanços, também estão no radar dos analistas.

Às 15h47, a divisa norte-americana recuava 0,43%, cotada a R$ 5,196—na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 5,175, queda de 0,82%. No exterior, o dólar também perde força: o índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,72%.

No mesmo horário, a Bolsa avançava 1,47%, aos 185.639 pontos, impulsionado pelo desempenho positivo de Vale e dos bancos —a caminho de registrar um novo recorde de fechamento.

O pregão repercute um alerta da China para que bancos limitem a compra de Treasuries, os títulos do Tesouro americano, em meio a dúvidas crescentes sobre a atratividade dos ativos dos Estados Unidos.

Segundo a Bloomberg, reguladores chineses aconselharam instituições financeiras a reduzir a exposição a esses papéis devido a preocupações com concentração de risco e volatilidade. Autoridades pediram que os bancos limitem novas aquisições de títulos do governo americano e orientaram instituições com maior exposição a reduzir suas posições.

O Banco Popular da China e a Administração Nacional de Regulação Financeira não comentaram o assunto.

“Esse movimento pressiona o dólar, uma vez que o maior comprador de Treasuries —e grande gerador de demanda por dólares— reduz sua atuação. Também pode aumentar o medo e a volatilidade nos mercados, colocando em xeque a confiança na capacidade dos Estados Unidos de financiar sua dívida”, diz Higor Rabelo, especialista da Valor Investimentos.

Ainda no cenário internacional, o PLD (Partido Liberal Democrático), sigla da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, conquistou 316 assentos na Câmara Baixa, indo muito além dos 233 necessários para garantir a maioria simples, segundo os dados coletados pela emissora pública NHK.

Com a vitória, o PLD fortaleceu seu poder, uma vez que governa o país de maneira quase ininterrupta desde 1955. As ações japonesas atingiram níveis recordes após o resultado, com o índice Nikkei avançando 3,9%, a 56.363 pontos.

“O Ibovespa sobe com o apetite ao risco global, impulsionado pelos resultados da eleição japonesa que trazem ao país um panorama de expansão fiscal e cortes de impostos. O movimento estrutural chamado de rotação global, que favorece mercados emergentes, ganhou novo ímpeto”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

No ambiente doméstico, falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em São Paulo, foram acompanhadas por investidores, em busca de sinais da política monetária da autarquia.

Galípolo afirmou que o atual momento da política monetária, com indicação de corte de juros pela autoridade monetária, não deve ser interpretado como uma “volta da vitória”. Segundo ele, os dados ainda mostram resiliência da atividade econômica, o que exige cautela na condução da política de juros.

“A gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros)… Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica, por isso que a gente está falando de um ajuste”, afirmou.

A fala está em linha com a ata do Copom divulgada na semana passada. O documento sinalizou um possível corte da taxa Selic em março, após melhora do cenário inflacionário, mas destacou a necessidade de manter os juros em patamar elevado até que o processo de convergência da inflação ao centro da meta esteja consolidado.

O alvo central de inflação do Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para analistas, a ata reforçou a perspectiva de início do ciclo de cortes, mas deixou em aberto o ritmo do afrouxamento monetário, que seguirá dependente dos dados.

Para Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, o discurso de Galípolo transmitiu uma mensagem de calma e controle. “A leitura predominante é de que o ciclo de cortes de juros deve ser suave, sem movimentos bruscos —não se espera, por exemplo, reduções agressivas de 0,5 ponto percentual em sequência”.

A temporada de balanços também segue no radar de analistas. Após Santander, Itaú e Bradesco, o BTG Pactual divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025.

O banco registrou alta anual de 40,3% no lucro, alcançando R$ 4,6 bilhões no período, levemente acima da expectativa de R$ 4,56 bilhões apurada pela LSEG. Apesar do resultado, as ações do banco recuavam 0,24% por volta das 15h51.

Também estão previstos para esta segunda-feira os balanços de BB Seguridade, Motiva e Banco Pan, que podem influenciar o desempenho do mercado ao longo do dia.

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