Dólar e Bolsa caem com foco em nome de Guilherme Mello ao BC e possível acordo nuclear EUA-Irã

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta sexta-feira (6), acompanhando o movimento do exterior.

No Brasil, operadores avaliam a possível indicação de Guilherme Mello ao BC (Banco Central) e novas projeções econômicas divulgadas nesta manhã pelo Ministério da Fazenda. Lá fora, a possibilidade de um acordo nuclear entre os Estados Unidos e o Irã ronda as mesas de operação.

Às 12h17, a moeda caía 0,5%, cotada a R$ 5,226. O índice DXY, que a compara a uma cesta de seis outras divisas fortes, também estava em queda, a 0,35%, denotando fraqueza do dólar globalmente.

Já a Bolsa recuava 0,11%, a 181.917 pontos, com a forte queda do Bradesco pressionando o Ibovespa para baixo.

Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello disse estar feliz com a confiança do ministro Fernando Haddad (Fazenda) pela indicação de seu nome ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a diretoria do Banco Central e se colocou à disposição para a função.

Segundo ele, ainda não houve um convite formal do chefe do Executivo.

“Fico lisonjeado pela lembrança do meu nome, muito feliz com a confiança do ministro em indicar meu nome, no entanto, não recebi nenhum convite. Estou aqui trabalhando normalmente com minha equipe no Ministério da Fazenda”, afirmou.

Nesta semana, a Reuters publicou que o presidente Lula deve confirmar os nomes de Mello e de Tiago Cavalcanti, economista e professor da Universidade de Cambridge, para as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução da autoridade monetária.

Ambos os nomes foram sugeridos por Haddad, e as indicações foram mal recebidas pelos investidores. Os temores são de desequilíbrio na composição da diretoria do BC, com predominância de perfis mais acadêmicos e menos experientes em política monetária, com pouca interlocução com o mercado financeiro.

Mello, além disso, tem forte ligação com o PT e participou da formulação do plano econômico do governo Lula. Sua eventual indicação, se confirmada, é vista pelo mercado como um sinal de maior influência do partido no Banco Central.

“Depois que o nome de Guilherme Mello passou a circular, a sensação predominante foi de desconforto e cautela. Isso costuma aparecer na forma de juros mais altos nos prazos longos, pois o mercado passa a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo”, diz Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow.

Ainda, a secretaria de Política Econômica da Fazenda revisou ligeiramente para baixo a projeção para o crescimento econômico em 2026 e ajustou para cima a estimativa para a inflação ao consumidor no ano.

A pasta projetou a alta do PIB em 2,3%, abaixo dos 2,4% estimados em novembro. A pasta ainda elevou de 2,2% para 2,3% a previsão de crescimento da atividade em 2025, dado que será oficializado pelo IBGE em março. Com relação à inflação, a secretaria estimou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechará 2026 em 3,6%, ante 3,5%.

Também é destaque no Brasil o balanço do Bradesco, que divulgou lucro líquido recorrente de R$ 6,516 bilhões no quarto trimestre, em linha com as estimativas. O banco, no entanto, trouxe projeções abaixo das expectativas, derrubando as ações em 4% e, por consequência, pressionando o Ibovespa para baixo.

Ainda assim, o resultado foi considerado robusto por analistas, com lucro recorrente acima do ano anterior, em sinal de recuperação gradual da rentabilidade da instituição financeira.

Na ponta internacional, a possibilidade de um acordo nuclear entre Irã e Estados Unidos também é monitorada de perto pelo mercado.

Delegações de ambos os países se reuniram de forma indireta nesta sexta em Mascate, capital de Omã. Não houve nenhum avanço significativo, mas os operadores estão atentos a um desenrolar positivo nas negociações.

Outro destaque do noticiário é a forte liquidação de ações do setor de tecnologia em Wall Street nesta semana. Apesar dos índices acionários estarem em forte alta —o S&P500 registra ganhos de mais de 1%— em recuperação dos últimos dias, a Amazon acirrou temores de uma bolha de inteligência artificial em formação nos mercados após divulgar aumento de gastos com infraestrutura para IA.

As ações estão em queda de mais de 3%. “Esse assunto tem adicionado muita incerteza às operações e está se reefletindo na nossa Bolsa, que também opera em queda”, diz Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos.

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