SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou próximo à estabilidade nesta terça-feira (13), em leve variação positiva de 0,05% em relação à sessão anterior. A cotação final foi de R$ 5,374.
Os investidores ajustaram apostas sobre os juros dos Estados Unidos após dados de inflação virem em linha com as expectativas. A tensão envolvendo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) e o governo Donald Trump também seguiu norteando as negociações.
A movimento da moeda norte-americana aqui foi mais tênue do que o do exterior: o índice DXY, que compara o dólar a seis outras divisas fortes, avançou 0,28%, a 99,13 pontos. “A inflação dos EUA em linha com as projeções ajudou a limitar movimentos mais bruscos no mercado de moedas, mas não foi suficiente para encaminhar uma queda mais acentuada do dólar”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
A Bolsa brasileira também acompanhou a performance dos índices de Wall Street, em dia de aversão global ao risco. Fechou em queda de 0,72%, a 161.973 pontos, apesar da alta de mais de 2% dos papéis da Petrobras.
O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) apontou que a inflação subiu 0,3% em dezembro, depois que as distorções de preços relacionadas à paralisação do governo federal foram eliminadas.
O dado veio exatamente em linha com a expectativa de economistas ouvidos pela Reuters. No balanço anual, o índice avançou 2,7%.
O aumento da inflação ao consumidor veio após a notícia, na semana passada, de que a taxa de desemprego caiu em dezembro, mesmo com o crescimento tímido do emprego. Os resultados consolidaram as expectativas de que o Fed deixará os juros inalterados na reunião deste mês: na ferramenta CME FedWatch, 95% dos operadores apostam que a taxa continuará na banda de 3,5% e 3,75%. Os 5% restantes veem como provável um corte de 0,25 ponto percentual.
A possibilidade de uma pausa nos cortes já havia sido aventada por Jerome Powell no último encontro de 2025.
O banco central dos EUA trabalha com um mandato duplo, isto é, toma decisões de política monetária mirando o pleno emprego e a estabilidade nos preços ao consumidor. Com ambas as pontas em relativa estabilidade, a leitura do mercado é que o Fed está bem posicionado para ver como a economia evolui antes de retomar o ciclo de reduções.
“Depois dos três cortes anunciados desde setembro, os juros agora estão próximos das estimativas para o nível neutro, o que deixa o Fed em uma posição mais confortável para esperar, analisar os dados e só então decidir os próximos passos”, diz Claudia Moreno, economista do C6 Bank.
Juros em patamares elevados nos Estados Unidos constumam atrair investidores de todas as partes do mercado global. Como a economia norte-americana é lida como a mais estável do mundo, a renda fixa de lá é considerada um investimento livre de risco, o que tende a tornar outros ativos menos atrativos.
No caso do Brasil, no entanto, prevalece a tese do carry-trade. A estratégia se baseia em tomar empréstimos nos Estados Unidos e investir o dinheiro aqui, fazendo o diferencial de juros trabalhar a favor do investidor. A Selic está em 15% ao ano desde junho do ano passado.
O aporte no Brasil implica na compra de reais, o que desvaloriza o dólar.
O Fed esteve no centro das mesas de operação também por outro motivo nesta semana. Procuradores federais abriram uma investigação criminal contra Powell sobre a reforma da sede do banco central, em Washington. O inquérito, conduzido pela Procuradoria dos EUA de Colúmbia, busca apurar se Powell mentiu ao Congresso sobre o escopo das obras.
A iniciativa do governo norte-americano foi interpretada nos mercados globais como uma tentativa de pressionar o Fed por novos cortes de juros, o que reacendeu temores sobre a independência da autoridade monetária.
Em pronunciamento por escrito, Powell disse que a investigação “deve ser vista no contexto mais amplo de pressão contínua do governo”.
“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Fed definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente [Donald Trump]”, afirmou. “A questão central é se o Fed conseguirá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação.”
Trump tem pedido repetidamente pela renúncia de Powell e pressionado por uma taxa de juros menor. Em novembro de 2025, chegou a afirmar que “adoraria” demitir o presidente do Fed por não reduzir a taxa de juros mais rapidamente.
Questionado sobre o comentário de Powell, Trump afirmou não estar envolvido com a investigação e criticou o dirigente. “Eu não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed, e nem em construir prédios,” afirmou o republicano em entrevista à emissora NBC News no domingo.
Segundo Ian lopes, economista da Valor Investimentos, os mercados valorizam bancos centrais independentes. “O Fed é a instituição financeira mais importante do mundo e, diante desse ruído, investidores acabam vendendo a moeda americana e ativos alternativos usados como reserva de valor, como ouro e prata, acabam batendo recordes”.
Na cena corporativa, Petrobras avançou mais de 2%, endossada pela valorização de 1,7% dos preços do petróleo Brent no exterior.
O destaque negativo ficou com a Hapvida, em queda de 8% depois de anunciar que Alan Benvenuti passará a exercer a função de vice-presidente comercial da companhia.