Dólar recua a R$ 5,22 e Bolsa sobe mais de 3% após Trump adiar ataques ao Irã

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar recua mais de 1% nesta segunda-feira (23), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar por cinco dias ataques contra usinas de energia do Irã e mencionar a possibilidade de negociações com o país.

Com o petróleo em baixa no exterior, às 11h31, o dólar cedia 1,56%, cotado a R$ 5,228, em linha com o movimento externo. Na mínima do pregão, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,224, com queda de 1,67%.

No mesmo horário, a Bolsa brasileira avançava 3,32%, a 182.081 pontos, em meio a um maior apetite global por ativos de risco. Nos Estados Unidos, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 subiam em bloco, com alta de até 2,17%.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou em relação a ameaças de que destruiria usinas de energia iranianas, afirmando nesta que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares por cinco dias.

Em uma publicação no Truth Social, ele também disse que EUA e Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” nos últimos dois dias sobre uma “resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio”.

O americano afirmou a jornalistas que está conversando com uma autoridade iraniana que não seria o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e instou o país a parar de enriquecer urânio.

Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do país disse que Trump só quer ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo, confirmou que há “iniciativas para reduzir a tensão”, mas que Teerã só aceitará propostas dos Estados Unidos diretamente.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a recente declaração de Trump trouxe um alívio aos mercados por sinalizar uma desescalada no conflito. “Isso ajudou a contar a disparada do petróleo, que vinha pressionando Bolsas. Há diminuição no sentimento de risco e nos temores de interrupção na oferta de energia”.

Nas últimas semanas, a tensão entre EUA, Israel e Irã afetou os mercados acionários. Apesar da valorização da Petrobras com a alta do petróleo, o conflito gerou uma busca por ativos de qualidade como dólar e renda fixa, o que deixou Bolsas em segundo plano.

Para se ter uma noção, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de seis moedas fortes, registra alta de 1,50% desde que a guerra no Oriente Médio começou. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, por outro lado, registra recuo de 3,6%.

Além disso, há um temor de um repique inflacionário, caso o conflito permaneça dure um longo tempo e as cotações do petróleo permaneçam em alta.

Os preços da commodity dispararam após o fechamento do estreito de Hormuz, localizado na fronteira do Irã e por onde passa cerca de 20% da produção global da commodity.

O anúncio de uma trégua por cinco dias nos ataques ao Irã levou o preço do petróleo a despencar mais de 13% e chegar a US$ 91,89 (R$ 488,12), às 8h (horário de Brasília).

Antes disso, o barril Brent vinha oscilando entre US$ 105 e US$ 109, sendo que a máxima foi de US$ 109,68 (R$ 582,62), às 5h15. Mas o anúncio feito por volta das 7h fez com que o preço desabasse rapidamente até atingir US$ 91,89.

O movimento do pregão desta segunda é inverso ao da sexta, quando o dólar disparou 1,81%, cotado a R$ 5,311, e a Bolsa tombou 2,24%, a 176.219 pontos.

Na semana passada, Trump mobilizou um segundo grupo expedicionário de fuzileiros navais para a região, apesar de ter negado a intenção de enviar soldados para uma ação terrestre. A ideia seria tomar a ilha de Kharg para pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Hormuz, importante via de transporte do petróleo global.

Uma flotilha com três navios de guerra carregando 4.000 marinheiros, 2.500 deles fuzileiros para ações em terra, deixou o porto de San Diego (Califórnia) na quinta-feira.

No mesmo dia, Trump descartou “botas no solo” -na mesma fala, contudo, disse que não contaria à imprensa se tivesse outra ideia.

O presidente dos EUA, na semana passada, já havia deslocado do Japão outro grupo similar, que já se aproxima da região. Com isso, haverá 5.000 soldados treinados para operações terrestres, o que é insuficiente para uma invasão com fins de derrubar o regime teocrático do Irã. Em 2003, a invasão ao Iraque envolveu 20 navios do tipo.

Hormuz é o quintal estratégico de Teerã, que o militarizou, provavelmente colocando minas em trechos importantes para obrigar os navios que autoriza a passar a usar uma rota que passa por suas águas.

A tomada da ilha soa bastante arriscada para analistas militares. O Irã, mesmo enfraquecido pelas semanas de bombardeios, retém uma capacidade de lançamento de mísseis e drones considerável.

Trump ainda subiu o tom contra a Otan, chamando a aliança militar criada por Washington em 1949 de tigre de papel sem os americanos.

No Brasil, a agenda do dia é esvaziada de indicadores. Às 10h30, o Banco Central realizou leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de US$ 2 bilhões, para rolagem do vencimento de 2 de abril. Às 11h30, o BC faz leilão de 60 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.

Na semana passada, decisões sobre as taxas de juros em meio ao conflito foram anunciadas. As taxas foram mantidas no Banco Central Europeu (2%), EUA (3,5% a 3,75%), Reino Unido (3,75%), Canadá (2,25%), Suécia (1,75%), Japão (0,75%) e Suíça (0%). Já a Austrália subiu a taxa para 4,1%.

No Brasil, o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, agora em 14,75% ao ano, veio acompanhado de uma comunicação cautelosa, com o Copom (Comitê de Política Monetária) falando em “calibração” de juros em vez de flexibilização.

O termo, para analistas do mercado, indica que a taxa de juros poderá ser cortada mais algumas vezes ao longo do ano, mas seguirá em patamar restritivo.

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