Dólar recua e Bolsa sobe forte com IBC-Br acima do esperado e tensão entre EUA e Irã

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registra queda nesta quinta-feira (19) no Brasil, na contramão do avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior. Os destaques do pregão são a divulgação do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) e o aumento das tensões entre EUA e Irã.

Às 12h53, o dólar à vista caía 0,41%, cotado a R$ 5,220. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a outras seis divisas fortes, avançava 0,15%.

No mesmo horário, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores brasileira, subia 1,17%, a 188.167 pontos, sustentado pela valorização das ações da Petrobras.

A atividade econômica do Brasil terminou 2025 com crescimento de 2,5% ao mostrar novo ímpeto no quarto trimestre com impulso da agropecuária e do setor de serviços, de acordo com dados divulgados pelo BC (Banco Central) nesta quinta.

O IBC-Br, considerado um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), teve em dezembro queda de 0,2% na comparação com o mês anterior, em dado melhor do que a expectativa dos economistas consultados pela Reuters (baixa de 0,5%).

Para Cristiane Quartaroli, economista chefe do Ouribank, o IBC-Br mostra que a atividade econômica segue em expansão, mas em ritmo mais moderado. “Esse tipo de dado costuma influenciar as expectativas do mercado, especialmente em relação à política monetária e às projeções para o PIB”.

Segundo ela, o dado também reforça um cenário de cortes graduais da taxa Selic, hoje em 15%. “Economistas que esperavam uma redução de 0,50 ponto percentual podem revisar a expectativa para 0,25 ponto”.

A expectativa entre economistas consultados pelo Boletim Focus é de que a Selic encerre 2026 a 12,25%.

Enquanto isso, a manutenção dos juros brasileiros em patamar elevado —o maior em quase duas décadas— tem preservado a atratividade das operações de carry trade e sustentado a entrada de capital estrangeiro tanto na renda fixa quanto na Bolsa.

Quanto maior o diferencial entre os juros brasileiros e os norte-americanos, maior tende a ser a rentabilidade potencial da estratégia conhecida como carry trade. Nessa operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhar com o diferencial de juros.

Assim, quanto mais favorável esse diferencial, maior tende a ser o fluxo de dólares para o país, o que contribui para a valorização do real.

No exterior, o foco está sobre o aumento nas tensões entre EUA e Irã. Apesar dos relatos de progresso nas negociações para evitar uma nova guerra no Oriente Médio, os Estados Unidos aceleraram nesta semana a mobilização militar ofensiva em preparação para atacar o Irã.

Só de segunda-feira (16) até esta quarta (18), foram ao menos 78 aviões de caça e ataque deslocados, mais que o dobro do que já havia em três principais bases americanas sob a jurisdição do Centcom (Comando Central da Forças Armadas dos EUA) —isso sem contar as 90 aeronaves a bordo do USS Abraham Lincoln.

Nesta quinta-feira, os preços do petróleo continuavam subindo com o aumento de tensões entre os países. Na véspera, a commodity chegou a uma alta de 4%.

Por volta das 11h20, os futuros do petróleo Brent avançavam 1,82%, enquanto o WTI aumentava 2,11%. O aumento nos preços também impactava o mercado doméstico, com os papéis da Petrobras avançando até 2,31% e liderando o Ibovespa.

Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, afirma que os preços do barris incorporam um prêmio geopolítico com o risco no Oriente Médio. “Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento global da commodity. Qualquer ameaça à navegação ali impacta expectativas de oferta”.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, diz que risco de interrupção na oferta tende a pressionar os preços e gerar reflexos em outros ativos. “O dólar voltou a registrar valorização pontual, diante da maior busca por proteção. O mercado de petróleo serve como termômetro para o risco geopolítico no momento”.

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