Dólar recua para R$ 5,15 e Bolsa tem forte alta com nova política tarifária de Trump em foco

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar reverteu os ganhos desta terça-feira (24) e passou a operar em queda, com investidores analisando a nova política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A cobrança de sobretaxas de importação de 10% a todos os parceiros comerciais do país entrou em vigor à meia-noite (horário de Washington). A carga tarifária é diferente dos 15% anunciados por Trump, segundo aviso emitido pela CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras, na sigla em inglês).

Às 12h53, a moeda norte-americana recuava 0,26%, cotada a R$ 5,154, depois de ter marcado R$ 5,184 no pico da sessão. Já a Bolsa subia 1,29%, a 191.292 pontos, testando um novo recorde histórico.

Segundo consta no aviso da CBP, todos os produtos não cobertos por isenções “estarão sujeitos a uma taxa ad valorem adicional de 10%”. Essa é a taxa inicialmente anunciada por Trump na última sexta-feira, e não os 15% prometidos no sábado.

A imposição de uma taxa mais baixa do que a anunciada gerou confusão entre os agentes econômicos. Nenhuma explicação foi fornecida pelas autoridades americanas.

Citando um funcionário da Casa Branca não identificado, o jornal Financial Times afirma que o aumento para 15% ocorrerá posteriormente, mas a informação não foi imediatamente confirmada por outros veículos de comunicação.

“Lembre-se de que Trump fará o discurso sobre o Estado da União nesta noite, então é possível que tenhamos uma noção melhor dos próximos passos sobre tarifas”, disse o Deutsche Bank em uma nota.

A medida é uma reação à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou as tarifas anunciadas no “Dia da Libertação” ilegais. O tarifaço anterior tinha como base jurídica a IEEPA —Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional—, que permitia a aplicação de sobretaxas de importação a todos os países sem aprovação do Congresso.

Os juízes discordaram que a lei, criada em 1977 para situações de emergência, de fato concedia ao presidente esse poder. O placar da decisão foi de 6 votos a 3.

A nova carga tarifária se ampara, dessa vez, em um dispositivo de 1974. A seção 122 dá a Trump poder para impor temporariamente taxas de até 15% sobre importações quando houver déficits significativos na balança de pagamentos.

Nesse caso, a taxação expira em 150 dias, a menos que o Congresso aprove uma extensão. O governo trabalhará na emissão de tarifas “legalmente admissíveis” no paralelo, afirmou Trump.

A cobrança coloca em dúvida os acordos negociados recentemente pelos EUA com parceiros comerciais. Na segunda, Trump advertiu os países contra o recuo nos entendimentos, dizendo que, se o fizerem, ele adotará tarifas muito mais altas sob diferentes leis comerciais.

O Japão disse nesta terça-feira que solicitou aos Estados Unidos que garantam que seu tratamento sob um novo regime tarifário seja tão favorável quanto no acordo existente. Tanto a União Europeia quanto o Reino Unido indicaram que desejam manter os acordos já firmados.

Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, observou que, mesmo com o limite de 150 dias do atual conjunto de medidas, a incerteza comercial provavelmente não desaparecerá tão cedo.

“Porque teoricamente a próxima coisa que Trump poderia fazer é, com a interrupção de um dia, sempre renovar indefinidamente por mais 150 dias”, disse ele.

A China, por sua vez, instou Washington a abandonar suas “tarifas unilaterais”, sinalizando que está disposta a realizar outra rodada de negociações.

Em meio às dúvidas sobre o cenário, o dólar ganha terreno ante o iene, o euro e a libra. O índice DXY, que o compara a uma cesta de seis moedas fortes, avança 0,2%, a 97,92 pontos. Entre os pares do real, a divisa avança ante o peso mexicano, mas recua ante o peso chileno.

No Brasil, o dólar fechou no menor patamar em quase dois anos na véspera, a R$ 5,167. Há a leitura de que as novas tarifas podem ser benéfica ao país, já que são significativamente menores do que a carga que antes incidia sobre alguns produtos brasileiros. A China também sai na vantagem.

Essa visão aumenta a atratividade do mercado nacional, já beneficiado pelo fluxo de investidores estrangeiros para praças emergentes.

“Sob a ótica técnica, a cotação ainda rompeu o suporte em R$ 5,20, faixa que concentrava posições compradas relevantes. A perda desse nível desencadeou ajustes de portfólio e amplificou o movimento de apreciação do real, com redução tática de exposição à moeda americana”, diz Jaqueline Neo, especialista de câmbio e crédito da be.smart.

Já o Ibovespa se recupera da véspera, cujo pregão foi de realização de lucros após o índice registrar uma nova marca histórica na sexta-feira. Petrobras avança mais de 1%, seguindo o petróleo no exterior, e o setor bancário ajuda a manter a Bolsa no positivo.

“Na rota dos 200 mil pontos! Essa é a estrada atual do Ibovespa”, afirmaram analistas do Itaú BBA, no relatório Diário do Grafista enviado a clientes nesta terça-feira, reforçando que o índice brasileiro está em tendência de alta.

As praças europeias estão em baixa, com o alemão DAX e o britânico FTSE em queda de 0,1% cada. O STOXX 600, referência do continente, ronda a estabilidade. Wall Street também testa recuperação.

Também seguem no radar as tensões entre Estados Unidos e Irã. Segundo informou a Reuters, o governo iraniano está perto de fechar um acordo com a China para comprar mísseis antinavio, em um momento em que os EUA mobilizam uma vasta força naval perto da costa iraniana.

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