SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar ronda a estabilidade nesta quinta-feira (8), com o mercado monitorando os desdobramentos da invasão dos Estados Unidos à Venezuela e os planos do governo Donald Trump de estender as intervenções para Groenlândia e Colômbia.
A divulgação do relatório payroll, indicador de emprego dos Estados Unidos, e o caso Banco Master também norteiam as negociações.
Às 12h25, a moeda norte-americana tinha variação negativa de 0,02%, a R$ 5,384. Já a Bolsa avançava 0,45%, a 162.718 pontos, com a queda de mais de 1% das ações da Vale travando maiores ganhos.
Os investidores seguem atentos ao noticiário envolvendo a invasão dos Estados Unidos à Venezuela.
Trump afirmou, na quarta-feira, que Caracas concordou em usar a receita da venda do petróleo que será entregue aos EUA para comprar apenas produtos produzidos no país. Segundo ele, o governo interino venezuelano entregará até 50 milhões de barris aos norte-americanos, e os lucros serão controlados pela administração republicana.
A intervenção poderá durar anos, afirmou o presidente. Em sinal de que os planos dos Estados Unidos não estão limitados à Venezuela, a Casa Branca ainda disse que Trump está discutindo ativamente a compra da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
] A fala ocorre um dia após a Casa Branca afirmar, por meio de nota, que não descarta o uso da força para tomar a ilha o que configuraria uma agressão à Otan, grupo ao qual Dinamarca e EUA pertencem. Na segunda (5), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, havia dito que qualquer ataque americano ao território significaria o fim da aliança militar ocidental.
O interesse de Trump pela Groenlândia já é de longa data. A ilha guarda reservas minerais que, em tese, poderiam ser mais facilmente acessadas com a aceleração do aquecimento global. No papel, isso significa a possibilidade de extração de petróleo e gás, mas principalmente de minerais do subsolo groenlandês. Entre os elementos presentes se destacam as famosas terras raras, motivo de cobiça global e outra fixação de Trump afinal, a sua rival China controla a maior parte das reservas globais.
Trump ainda ameaça atacar a Colômbia, sob acusações de que o governo Gustavo Petro não estaria fazendo o suficiente para combater o narcotráfico.
A escalada de tensões geopolíticas inspira aversão a risco nos mercados, diz Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.
“O ambiente de aversão não é baseado apenas nessas tensões, mas também no cenário local, que conta com os desdobramentos do caso Banco Master e as incertezas em torno da liquidação da instituição, fato este que pesou no setor financeiro na véspera.”
O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Jhonatan de Jesus investiu contra o BC (Banco Central) ao questionar a atuação da autoridade monerária no processo de fiscalização e liquidação do Master. Ele recuou nesta quinta-feira e suspendeu a inspeção.
O risco de uma reversão na liquidação, ainda que remoto, inspirou provocou tensão no mercado financeiro na véspera, com investidores fugindo do setor bancário na Bolsa. Nesta quinta, porém, o Itaú avançava 0,94%, seguido pelo Santander (0,81%) e Banco do Brasil (0,14%). BTG tinha forte ganho de 1,63%, enquanto Bradesco caía 0,69%.
Ainda no radar, operadores monitoram dados dos Estados Unidos e do Brasil de olho nas implicações para as decisões de política monetária dos dois países.
Relatórios de emprego norte-americanos divulgados na quarta-feira ficaram abaixo das expectativas, e o mercado agora aguarda a divulgação do payroll, métrica oficial do mercado de trabalho dos Estados Unidos, para tentar antever qual será a decisão do Fed (Federal Reserve) sobre a taxa de juros no fim do mês.
Até agora, a maioria dos investidores (88%) aposta em uma manutenção do atual patamar de 3,5% e 3,75%, segundo a ferramenta CME FedWatch. Os 12% restantes veem como mais provável um corte de 0,25 ponto percentual.
“Embora os dados tenham vindo abaixo das expectativas, eles não foram suficientes para gerar um movimento direcional nos ativos, uma vez que os investidores evitam grandes apostas e aguardam a divulgação do payroll na sexta-feira para uma maior definição do cenário”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
No Brasil, a produção industrial ficou estável em novembro ante outubro e cedeu 1,2% ante novembro de 2024. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,2% na comparação mensal e queda de 0,1% em base anual. A expectativa agora fica com os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), também esperados para amanhã.
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