Dólar ronda estabilidade e Bolsa avança, com mercado à espera de decisões de juros no Brasil e nos EUA

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em alta nesta quarta-feira (18), dia de decisão de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

As negociações desta “superquarta”, como a data é apelidada, também estão sendo norteadas pelo agravamento do confronto no Oriente Médio, com o Irã atacando diversos países da região em represália à morte do homem-forte do regime, Ali Larijani.

Os iranianos bombardearam Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrain, Qatar, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, enquanto EUA e Israel atacavam várias regiões do Irã e do Líbano.

Às 14h27, a moeda norte-americana tinha variação positiva de 0,04%, cotada a R$ 5,207. Já a Bolsa tinha alta de 0,28%, a 180.929 pontos.

O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e o Copom (Comitê de Política Monetária) decidem sobre juros nesta quarta.

A primeira decisão a ser divulgada será a do Fed, por volta das 15h (horário de Brasília). A expectativa é que as autoridades mantenham a taxa de juros inalterada, hoje na faixa de 3,5% e 3,75%, diante do novo contexto geopolítico.

As ofensivas do presidente Donald Trump no Oriente Médio estão redefinindo as perspectivas para a economia dos Estados Unidos, a inflação e a política monetária.

Não há apostas seguras e, sem um ponto de parada claro para a campanha de bombardeio dos Estados Unidos e Israel, economistas dizem que os impactos dependem de quanto tempo a guerra vai durar, da estrutura de qualquer governo iraniano que surja ao final dela e se os preços do petróleo subirão ainda mais além de US$ 100 por barril ou se recuarão logo para os níveis anteriores à guerra, abaixo de US$ 80.

A alta da commodity já afeta preços de combustíveis nos Estados Unidos e poderá se propagar para outros setores, como passagens aéreas, fertilizantes e alimentos. À medida que os consumidores lidam com os preços mais altos, eles podem cancelar compras ou tentar reduzir gastos.

Para o Fed, a perspectiva deixou de ser a confiança no crescimento econômico estável e na desaceleração da inflação e passou a ser um cabo de guerra entre pressões de preços potencialmente crescentes e novos riscos para o crescimento e o mercado de trabalho.

As autoridades apresentarão suas melhores estimativas sobre o que vem pela frente por meio da decisão de juros, do comunicado de política monetária e das projeções trimestrais atualizadas. O presidente do Fed, Jerome Powell, dará uma entrevista coletiva logo após a divulgação.

Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, disse em uma análise feita na semana passada que o momento parece propício para que as projeções atualizadas do Fed se movam em uma direção estagflacionária —isto é, de crescimento econômico estagnado e de inflação elevada.

“As previsões estão sendo feitas em meio a uma nuvem de incerteza. Eu esperaria que os participantes da reunião reduzam suas avaliações de crescimento, enquanto aumentam suas estimativas de inflação e desemprego”, afirma.

Por isso, analisa Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex, a tendência é que o Federal Reserve adote mais cautela na decisão. “As apostas para as próximas reuniões também apontam para manutenção, pelo menos nas duas próximas”, diz.

No Brasil, por outro lado, o cenário ainda está em aberto. A guerra no Irã também embaralhou as apostas por aqui e, se antes do conflito a discussão era sobre a magnitude do corte, agora já há quem preveja que a Selic vai ficar onde está desde junho do ano passado, em 15% ao ano.

Bancos que projetavam um corte de 0,5 ponto percentual na reunião passaram a prever juros estáveis ou uma redução mais modesta, de 0,25 ponto percentual. A maior mudança veio da XP, que passou a prever a manutenção da taxa básica de 15%, com expectativa de uma “abordagem mais cautelosa” pelo colegiado.

Entre 30 instituições consultadas pela Bloomberg, 10 apostam em corte para 14,5% ao ano (o consenso antes da guerra), 19 preveem redução para 14,75% e uma a manutenção em 15%.

O movimento também apareceu no boletim Focus, do Banco Central. Os analistas esperam que o Copom decida reduzir a taxa de 15% para 14,75%. Até a semana passada, a expectativa era que a Selic caísse para 14,5%.

A decisão será divulgada após às 18h30, quando os mercados já estarão fechados.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tem sido apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.

Nesta madrugada, o Oriente Médio viveu uma das noites mais violentas desde que o conflito começou. A retaliação promovida por Teerã pela de Ali Larijani levou a uma madrugada de terror nos países do golfo Pérsico atacados por sediarem bases americanas. Em Israel, o uso de mísseis pesados deixou dois mortos em Tel Aviv.

Já no meio da tarde (meio da manhã no Brasil), o Irã emitiu um alerta inédito de ataque a instalações energéticas nos Emirados Árabes, Qatar e Arábia Saudita, citando o bombardeio de sua infraestrutura de extração de gás natural —cuja exploração do principal campo do mundo divide com Doha.

Na mão contrária, após os EUA atacarem bases de mísseis ao longo da costa do golfo no Irã, Israel voltou a promover ataques pesados contra o país persa e posições do Hezbollah no Líbano. Em Beirute, 12 pessoas morreram, e um edifício foi demolido com um único ataque nesta manhã.

O petróleo subia mais de 4% nesta tarde, cotado a US$ 108,46.

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