SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os economistas aumentaram a previsão da inflação ao seu maior patamar neste ano e diminuíram o tamanho da redução que esperam na reunião desta semana do Copom (Comitê de Política Monetária) para a taxa de juros.
O boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (16) mostrou que uma piora nas expectativas da economia impactadas pela manutenção do conflito no Oriente Médio, que iniciou há duas semanas.
A previsão do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) saltou de 3,91% para 4,10%, atingindo o maior nível neste ano. Até então, a maior marca havia sido de 4,06% no boletim de 5 de janeiro. A partir daí, a perspectiva passou a cair seguidamente até alcançar 3,91% na semana passada.
Porém a manutenção do confronto dos EUA e de Israel contra o Irã fez com que o preço do petróleo disparasse e superasse a casa dos US$ 100 na semana passada, temendo pelo impacto no fornecimento do commodity.
A situação fez o governo Lula anunciar um pacote para tentar conter a alta do diesel com a isenção de PIS e Cofins para o produto, o pagamento de subvenção a produtores e importadores e a criação de um imposto de exportação de petróleo. No dia seguinte, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido em suas refinarias.
O aumento do combustível impacta diretamente no preço do transporte rodoviário, o que pode acarretar em elevação em sequência na cadeia de produção de vários setores.
Além da alta na inflação, os economistas também projetaram que o esperado corte na Selic será menor do que vinha sendo previsto. Os analistas esperam que o Copom decida reduzir a taxa de 15% para 14,75% na reunião que começa nesta terça-feira (17). Até a semana passada, a expectativa era que a Selic caísse para 14,5%. Uma redução menor nos juros ajudaria a conter a inflação.
Para o fim do ano, a expectativa para a taxa de juros subiu de 12,13% para 12,25% no boletim divulgado nesta segunda-feira. Os economistas também alteraram a previsão para o PIB (Produto Interno Bruto), que subiu de 1,82% para 1,83%, e para o dólar, que caiu de R$ 5,41 para R$ 5,40.