Eduardo Paes descumpre promessa e anuncia pré-candidatura ao Governo do RJ

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), afirmou nesta segunda-feira (19) que vai renunciar ao cargo para disputar o governo estadual.

É a primeira vez que Paes confirma publicamente a candidatura, que vinha costurando desde o ano passado. A decisão contraria as promessas reiteradas de que concluiria seu quarto mandato à frente do município.

Paes confirmou que é pré-candidato após reunião com o secretariado nesta segunda, na sede da prefeitura. Ele afirmou que a tendência é formalizar a saída até o Carnaval.

“Tenho ainda um prazo pra me desincompatibilizar. Eu não pretendo fazer isso com tanta antecedência, mas vai chegando o momento”, afirmou. “As conversas políticas vão consumir um pouquinho mais meu tempo nos próximos 45, 40 dias até o Carnaval”.

Paes afirmou que vai apoiar a candidatura do presidente Lula (PT) à reeleição, a despeito de movimentos do governador do Paraná, Ratinho Júnior, seu correligionário no PSD. Em reuniões recentes com o presidente do partido, Gilberto Kassab, Ratinho se colocou à disposição da disputa presidencial.

“A minha decisão é a de apoiar a candidatura do presidente Lula à presidência da República, isso nunca teve dúvida.”

Na primeira fala em que comunicou abertamente que é pré-candidato, Paes mencionou a segurança pública, tema que também permeia a sua gestão municipal. Enfrentando dificuldades até com aliados na Câmara do Rio, Paes aprovou em 2025 a criação de uma força de segurança municipal, que está em treinamento.

“A questão da segurança tem solução, mas não é entregando para grupeiros políticos o projetos de segurança, e não é num comando tripartite do tema, sem presença firme do governador”, afirmou Paes, em crítica indireta a Cláudio Castro (PL), movimento que já havia feito durante as eleições municipais de 2024.

O comando tripartite citado por Paes é a coexistência das secretarias da Polícia Militar, Polícia Civil e Segurança Pública no governo Castro.

“A segurança pública não é um tema que se discuta entre valentões. A gente já viu governadores fazendo afirmações irresponsáveis, ‘eu vou fazer isso, vou dar tiro na cabecinha’, e no final se revelaram mais tchuchucas do que valentões”, disse, em referência à fala do ex-governador Wilson Witzel.

No sábado (17), o prefeito já havia indicado que era pré-candidato durante agenda no município de Santo Antonio de Pádua, no noroeste fluminense. Em tom descontraído, Paes pediu apoio ao prefeito da cidade, Paulinho da Refrigeração (MDB).

Será a terceira candidatura de Paes ao governo fluminense. Ele concorreu em 2006 pelo PSDB, no pleito que elegeu Sérgio Cabral, então no PMDB, e voltou à disputa em 2018, pelo DEM, quando foi derrotado no segundo turno por Witzel (então no PSC).

Na semana passada, Paes comunicou a aliados que sairá no dia 20 de março. Ele também esteve com o presidente Lula para reafirmar o apoio à sua candidatura à reeleição, apesar de rusgas recentes na relação com o PT.

O movimento foi uma consolidação do que já ocorria nos bastidores, em que Paes já falava abertamente sobre sua saída.

A promessa de que concluiria o mandato foi feita durante as eleições e reafirmada em diferentes momentos ao longo de 2025.

Na campanha municipal, ele classificou como uma “obrigação” permanecer no cargo pelos quatro anos. Prometeu pela Portela, Vasco e o rei Momo. O compromisso foi renovado no primeiro ano de mandato, quando chegou até a ser chamado, de forma jocosa, de “mentiroso” pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Em agosto, cometeu um ato falho ao dizer que o vice Eduardo Cavaliere tiraria sua “marca de prefeito mais jovem da história do Rio de Janeiro”. O sucessor tem 31 anos e Paes assumiu seu primeiro mandato aos 38.

Em seguida, Paes buscou tirar da fala a conotação de despedida. Argumentou que fazia referência ao fato de que o vice assumiria o cargo dias depois em razão de uma viagem internacional já programada. Contudo Cavaliere já havia sido prefeito interino em outras oportunidades semelhantes, inexistindo qualquer ineditismo como descrito no ato falho.

Aliados do prefeito dizem avaliar que não haverá desgaste ao prefeito. Eles afirmam que pesquisas internas apontam o desejo do eleitorado do prefeito para que ele concorra ao governo, que vive uma crise financeira e na segurança pública.

Paes intensificou a agenda de Cavaliere a partir do segundo semestre de 2025, num plano, segundo aliados, de acostumá-lo aos ritos do cargo. Parte dos secretários passou a se reportar a ambos.

“Quando escolhi o Cavaliere como vice, eu queria alguém que, de fato, tivesse um perfil executivo, capaz de realizar”, disse o prefeito.

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