Em 2025, consumo cai 2,4% na América Latina. Brasil retrai mais que a média: -3,6%, diz Wordpanel by Numerator

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Marcela Botana: "Pressão inflacionária deve ceder em 2026, mas não desaparecer”,
(Karime Xavier/Folhapress)
  • Itens de indulgência representam 29% do gasto das famílias e devem ter alta de 10% em 2026. Outro setor que deve avançar é o de medicamentos
  • Cosméticos & Perfumaria é das categorias com alta no consumo (15%). Segundo os especialistas, contexto econômico continua desafiador
Por Bruno Cirillo

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A Wordpanel by Numerator recém-divulgou os resultados da sua pesquisa Consumer Insights Latam, segundo a qual o consumo apresentou uma retração de 2,4% na América Latina durante o quarto trimestre de 2025. No Brasil, essa desaceleração foi de 3,6%.

Economias como as do Chile e da Argentina tiveram redução ainda pior: de 5,8% e 6,6%, respectivamente. Os números da Wordpanel levam em conta os chamados FMCG (bens de consumo massivo, na sigla em inglês), que são os produtos mais comuns nas prateleiras dos supermercados, desde alimentos até cosméticos e produtos de limpeza.

“A pressão inflacionária deve ceder em 2026, mas não desaparecer”, afirmou a diretora Latam para Desenvolvimento de Mercados da companhia, Marcela Botana. Segundo ela, é como se os consumidores dissessem: “Não posso seguir gastando como antes”. Marcela diz que o consumidor precisa equilibrar suas contas para voltar a gastar o mesmo.

ALIMENTOS – Segundo o estudo, os alimentos continuam sendo o principal driver de consumo.mesmo que nesse segmento tenha havido leve diminuição (de 34,2% da demanda total em 2024 para 34% no ano passado). Neste ano, o indicador deve ficar em 33,8%.

Por outro lado, produtos de beleza (cosméticos & perfumaria) foram uma das categorias que tiveram aumento no consumo, de 15% no quarto trimestre. Outro segmento que se destacou foram os itens chamados de indulgência (como doces e snacks), com evolução de 10% no período.

Marcela Botano observa também que há uma mudança substancial na forma como o varejo latino-americano tem feito negócios. “Novas marcas, novos canais de venda… há todo um contexto econômico que o consumidor precisa entender”, disse ela.

BEBIDAS – Para o gerente regional Latam da consultoria, Hamilton Gomes, “se observarmos hoje como se distribui o crescimento, primeiro são bebidas funcionais (como água e café)”, seguidos por produtos de beleza e indulgências.

Os itens de indulgência já representam 29% do gasto das famílias e devem ter alta de 10% em 2026, de acordo com o estudo. Outro campo em que espera-se forte demanda é na categoria de OTC (medicamentos). “O contexto econômico continua sendo desafiador, embora não haja nenhuma crise à vista.”

Em termos de recomendação para o varejista, os porta-vozes da Wordpanel afirmam que uma prioridade é ampliar a acessibilidade aos produtos. “Se tenho uma marca premium, preciso me adaptar também ao consumidor que não está acostumado, mas quer comprar”, disse Gomes.

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