Em dez anos, micro e MEIs passam de 13% a 21% das empresas exportadoras. EPPs são 19%

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De 2015 a 2025, o número de exportadoras pequenas e médias passou de 2,6 mil para 6,2 mil
(Freepik)
  • Em valores, essas empresas (6,2 mil) representam 0,3% do total, ante 0,2% em 2015. Médias e grandes respondem por 92,1%
  • Total de exportadoras chegou a quase 30 mil no final de 2025, número recorde, segundo o MDIC. Importadoras são o dobro (61,1 mil)
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Entre as quase 30 mil empresas brasileiras exportadoras no final de 2025, número recorde, o destaque foi a participação de microempresas (MEs) e microempreendedores individuais (MEIs), segundo balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). De 2015 a 2025, o número passou de 2,6 mil para 6,2 mil MEs/MEIs, crescimento de 138,5% – a participação desses setores subiu de 13% para 20,7%. São 5,7 mil empresas de pequeno porte (EPPs), ante 3,4 mil em 2015 (+66,1%). O total de empresas atingiu 29,8 mil, aumento de 49,7% em dez anos (eram 19,9 mil em 2015). Os dados fazem parte do Relatório Anual de Comércio Exterior por Porte de Empresas, divulgado pelo ministério. As importadoras cresceram 51,8% em relação a 2015 e agora somam 61,1 mil, o dobro das exportadoras.

Em valores, no entanto, as micro e MEIs ainda têm um largo caminho à percorrer. Foi de 0,2%, em 2015, para 0,3% no ano passado, o equivalente a US$ 870,8 milhões (+169% desde 2015) – com queda nos três últimos anos. As EPPs somam US$ 1,8 bilhão em exportações (+141,7%), 0,5% do total (0,4% em 2015). As médias e grandes, US$ 320,9 bilhões, alta de 81,6% (e 92,1% de participação, ante 94,6% dez anos antes). Empresas não mercantis (segundo o MDIC, as que têm informações incompletas), US$ 24,7 bilhões (7,1%, ante 4,8%). As médias e grandes somam 17,8 mil empresas, 29% a mais em dez anos.

A indústria de transformação predomina em todas as empresas, independentemente do porte. Das 6,2 mil MEs e MEIs, por exemplo 82,4% se concentram nesse setor, além de 6,6% na agropecuária e 4,3% no setor extrativo (6,7% se distribuem em outros segmentos). Entre as 5,7 mil EPPs, são 82,8% na indústria de transformação, 6,9% na agropecuária e 4,1% na indústria extrativa (6,2% em “outros”). Entre as 17,8 mil médias e grandes, essas participações são de 79,9%, 7,1% e 4,4%, respectivamente (8,6% em “outros”). Apenas de 2024 para 2025, foram 971 novas empresas exportadoras, sendo 592 médias e grandes (59,6% do total). No bloco que abrange MEs, MEIs e EPPs, foram 390 – destas, 242 microempresas.

Entre as 61,1 mil empresas importadoras, a distribuição por porte é mais equilibrada: 48,4% são médias e grandes, 26,2% são MEs e MEIs e 23,9%, EPPs (além de 1,5% não mercantis). As MEs e MEIs eram 15% em 2015 e as EPPs, 21,7%.

BRASIL X EUA – No primeiro bimestre, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano (US$ 4,9 bilhões) tiveram queda de 23,2%, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil). É o menor valor para esse período desde 2023. De acordo com o documento, a retração de fevereiro foi influenciada pela quedas nas vendas de petróleo bruto (-80,7%) e combustíveis derivados de petróleo (-42,2%), “ambos produtos isentos de sobretaxas e com peso relevante na pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos”. Também isento, o café teve queda de 40% nas vendas. O déficit brasileiro soma US$ 900 milhões (+142,3%)

As exportações brasileiras para os Estados Unidos em fevereiro (US$ 2,5 bilhões) caíram 20,3% em relação a igual mês de 2025, segundo a Amcham Brasil. Foi o sétimo mês seguido de retração, desde o chamado tarifaço norte-americano. A queda foi menos relavante do que em meses anteriores, mas “indica um início de ano marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral”. A entidade lembra que as mudanças anunciadas no final do mês passado – fim das sobretaxas de 40% e 50% e nova sobretaxa global de 10% ainda não se refletem nos dados estatísticos: “Seus efeitos deverão começar a aparecer no fluxo comercial a partir de março”.

“Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte”, afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto. “É fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais.” Especialmente no âmbito da investigação da Seção 301, acrescentou, referindo-se a dispositivo da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

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