Em reunião de paz sobre Gaza, Trump diz que decidirá em dez dias o que fazer com Irã se não houver acordo

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (19) que decidirá em dez dias o que fazer com o Irã caso não se chegue a um acordo sobre o programa nuclear do país persa. Ele voltou a ameaçar Teerã de “coisas ruins” se não houver avanços.

A fala de Trump ocorreu na reunião inicial do Conselho da Paz de Gaza, criado por ele. O novo prazo dado por Trump para o Irã ocorre em meio a uma escalada de tensão.

Nesta semana, autoridades dos dois países se reuniram em Genebra, na Suíça, para negociações sobre o programa nuclear iraniano. De um lado, os iranianos afirmaram que o encontro de três horas foi produtivo e citaram novas reuniões. Já os americanos demonstraram certo descontentamento pela falta de acordo.

Apesar do planejamento de conversas diplomáticas, os EUA têm acelerado a preparação para atacar o Irã.

Na reunião do conselho, o presidente dos Estados Unidos anunciou o envio de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) para a reconstrução da Faixa de Gaza. Participaram 20 líderes de países como a Argentina, que já aderiram à iniciativa de Trump.

O valor, entretanto, corresponde a 10% dos US$ 70 bilhões que seriam necessários para reconstruir o território ao longo de décadas, de acordo com a ONU, dos quais US$ 20 bilhões precisariam ser gastos nos primeiros três anos para estabilizar a grave crise humanitária pela qual passam os palestinos de Gaza.

Em outubro de 2025, as Nações Unidas disseram que o conflito gerou cerca de 55 milhões de toneladas de entulho, uma quantidade de escombros equivalente a 13 vezes o volume das pirâmides de Gizé.

Além deste montante, Trump anunciou que os Estados Unidos vão enviar US$ 10 bilhões, cerca de R$ 52 bilhões, para o Conselho da Paz, mas não detalhou qual será o uso desta verba.

Segundo os termos estabelecidos pela Casa Branca, Trump terá poder de veto sobre o Conselho de Paz e poderá continuar em sua liderança mesmo após deixar a presidência. Para obter a condição de membro permanente, os países devem desembolsar 1 bilhão de dólares (R$ 5,2 bilhões).

Apesar de ter sido anunciado com o objetivo de trabalhar pela reconstrução de Gaza, o presidente já demonstrou ter interesses muito além do território palestino e especialistas temem que o evento seria uma forma de esvaziamento da ONU, órgão alvo de constantes críticas pelo republicano.

No evento desta quinta, o presidente afirmou que o objetivo é que o Conselho da Paz supervisione o trabalho da ONU, mas não detalhou como seria este trabalho.

Apesar de reunir 20 líderes nesta quinta, a reunião não conta com a presença de autoridades de países da Europa, como Reino Unido, França e Alemanha. A Comissão Europeia enviou um representante, o que foi alvo de críticas da França. Os franceses afirmaram terem ficado surpresos e disseram que o órgão não tem mandato para representar os Estados-membros da União Europeia.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, Pascal Confavreux, disse que o Conselho de Paz precisa centralizar e focar em Gaza, em conformidade com uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, e que, enquanto essa ambiguidade não for esclarecida, a França não participará.

Segundo a análise do Instituto V-Dem, organização que monitora a qualidade democrática mundial, a grande maioria dos países que aceitaram participar do conselho são autocracias ou ditaduras, como Hungria, Qatar e Arábia Saudita.

Trump afirmou em seu discurso de abertura estar diante dos melhores líderes do mundo. “Quem ainda não aceitou [aderir ao conselho], vai. Tem alguns que estão fazendo charme. Isso não funciona comigo”, disse. O Brasil está entre os países que ainda não responderam se participarão.

Nos últimos dias, o Vaticano avisou que não irá aderir. A informação foi confirmada pelo cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática da sede da Igreja Católica.

A Santa Sé “não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados”, disse o cardeal. “Uma preocupação”, continuou, “é que, em nível internacional, deveria ser a ONU, acima de tudo, a responsável por gerir essas situações de crise. Este é um dos pontos em que temos insistido.”

Entre as ponderações brasileiras, feitas pelo presidente Lula (PT), está a ausência de representantes da Palestina. Há uma expectativa de que o convite seja discutido em uma reunião entre o petista e Trump, que deve acontecer em março, em data ainda a ser definida.

Lula, porém, já criticou a criação do conselho e afirmou que “a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de corrigir a ONU, com a entrada de novos países, o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova, em que ele sozinho é o dono”.

“Já falei com muitos outros presidentes tentando ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado ao chão ou que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”, afirmou o presidente brasileiro.

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