[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A sondagem do consumidor divulgada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (IEGV-ACSP), mostra melhora da percepção sobre a economia. Mas ainda com visão pessimista. O Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP), elaborado pela plataforma PiniOn, foi a 98 pontos em outubro, com alta de 2,1% sobre o mês anterior e queda de 2% na comparação com outubro do ano passado. Assim, apesar de alta mensal, a quarta seguida, se mantém no campo pessimista – abaixo de 100 pontos, em uma escala que vai de 0 a 200. No caso do consumidor da capital (ICCSP), a pontuação é menor: 87, estável em relação a setembro e com retração de 3,3% em um ano.
De acordo com a pesquisa, o ICCP mostra aumento da confiança nas classes A/B e D/E, e queda na C. O indicador também melhora tanto entre homens como mulheres. As famílias demonstraram percepção mais positiva sobre sua atual financeira, “impulsionada por maior segurança no emprego”. Com isso, houve “maior propensão à compra de bens de maior valor”, como automóvel e casa, além de bens durável (como geladeira e fogão).
Da mesma forma que na pesquisa estadual, o ICCSP aponta elevação da confiança nas classes A/B e D/E, com redução na C. Houve leve melhora entre as mulheres e estabilidade no caso dos homens. Diferente do resultado do ICCP, a avaliação da situação financeira atual piorou, enquanto a pesquisa mostrou melhora, na margem, das expectativas de emprego e renda.
JUROS – “No caso dos entrevistados paulistanos, os prováveis efeitos positivos parecem estar totalmente compensados pelos efeitos negativos”, afirmou o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do IEGV-ACSP. Entre esses fatores negativos, ele cita “o alto grau de endividamento das famílias e a desaceleração econômica, decorrente do nível elevado dos juros”. Em relação aos consumidores paulistas, a melhora mensal pode ser explica pela manutenção do emprego e da renda, com mercado de trabalho ainda aquecido e políticas de transferência.
O Índice Nacional de Confiança (INC), divulgado na terça-feira (4), teve comportamento semelhante. Foi a 98 pontos, com crescimento de 2,1% sobre setembro e queda de 4,8% em relação a outubro de 2024. Foi a terceira alta seguida. Mesmo assim, o INC segue no campo pessimista desde fevereiro. A sondagem é feita com 1,7 mil famílias, em capitais e cidades do interior.
Emprego, o novo crédito consignado, pagamento de precatórios e transferências de renda seguem sustentando o ânimo das famílias, com reflexos no consumo, segundo Ruiz de Gamboa. Mas o endividamento e as taxas de juros “poderão levar a uma redução da confiança do consumidor, ao longo dos próximos meses”. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta (5) a taxa básica de juros para os próximos 45 dias. A aposta é de manutenção da Selic em 15% ao ano.