SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O perfil da Secretaria de Trabalho dos Estados Unidos no X (antigo Twitter) divulgou uma imagem da chamada bandeira de Betsy Ross, que remete a um período após a Guerra de Independência americana. A postagem acompanhava a declaração ”o patriotismo vai prevalecer” e “a América primeiro. Sempre”.
A publicação ocorre em meio a críticas de líderes europeus à política externa do governo de Donald Trump e a um cenário de crescente tensão diplomática entre Washington e aliados históricos.
A bandeira é marcada por 13 estrelas brancas dispostas em círculo sobre um fundo azul, em referência às 13 colônias que deram origem aos Estados Unidos no século 18. O nome está associado a Betsy Ross (1752-1836), uma costureira americana que, segundo relatos familiares, teria confeccionado e ajudado a desenhar a bandeira. Historiadores, no entanto, afirmam que não há comprovação documental de que ela tenha sido, de fato, a autora.
Nas últimas décadas, o símbolo passou a ser reapropriado por grupos conservadores, nacionalistas e de extrema direita para reforçar sua identidade política.
Entre esses grupos estão os Three Percenters, uma milícia de direita que se define como defensora do povo americano contra o autoritarismo estatal. O grupo adaptou a bandeira tradicional ao inserir seus próprios símbolos no círculo das 13 estrelas. Segundo a Anti-Defamation League (ADL), organização que monitora o extremismo nos Estados Unidos, os Three Percenters são classificados como extremistas antigoverno.
O nome do grupo deriva de uma alegação historicamente imprecisa de que apenas 3% dos colonos teriam pegado em armas contra os britânicos durante a Guerra de Independência. De acordo com a ADL, embora o movimento se oponha ao governo federal, seus integrantes, em grande parte, apoiadores de Trump, têm direcionado críticas recentes a outros alvos percebidos como inimigos, como apoiadores dos democratas, muçulmanos e imigrantes.
A divulgação do símbolo dialoga com o slogan “America First”, amplamente associado ao movimento Maga (Make America Great Again), liderado por Trump, e utilizado para defender a priorização dos interesses nacionais em detrimento da cooperação internacional.
Nesta quinta-feira, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que o país “desrespeita normas internacionais” e vem se “distanciando progressivamente” de aliados, em um cenário que classificou como de crescente “agressividade neocolonial”.