Erro grave em hospital britânico expõe pacientes a risco de HIV e hepatite

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Um hospital no Reino Unido utilizou instrumentos cirúrgicos que não haviam sido devidamente esterilizados em procedimentos realizados em 21 pacientes. O caso ocorreu no Royal Gwent Hospital, em Newport, no País de Gales, e só foi comunicado às pessoas afetadas cerca de três semanas depois, o que gerou críticas de familiares e abriu uma investigação interna.

Instrumentos foram desinfetados, mas não passaram pelo processo final de esterilização, etapa obrigatória para eliminar completamente microrganismos. Mesmo assim, foram utilizados em cirurgias e exames realizados nos dias 25 e 26 de fevereiro. Erro teria ocorrido após a etapa de processamento dos equipamentos no Hospital Sterile Services Department (HSDU), setor responsável pela limpeza e esterilização de materiais médicos.

Os instrumentos passaram pelas etapas iniciais de limpeza e desinfecção em 24 de fevereiro. Porém, segundo apuração da BBC do Reino Unido, os itens não seguiram para o ciclo final de esterilização. Ainda assim, acabaram sendo reutilizados em procedimentos médicos nos dois dias seguintes.

Falha foi identificada pela equipe do hospital em 27 de fevereiro. Apesar disso, os pacientes afetados só foram informados oficialmente em 16 de março.

Instrumentos cirúrgicos que não passam por esterilização completa podem representar risco de transmissão de doenças, como HIV, hepatite B e hepatite C.

Denúncia interna motivou investigação. O caso veio à tona após relatos de um denunciante interno ao portal WalesOnline, que afirmou que funcionários estavam preocupados com a demora na comunicação do erro aos pacientes.

A fonte afirmou que os instrumentos já haviam sido usados em outros procedimentos e que havia risco potencial de infecção. À reportagem, assinada pelo jornalista Conor Gogarty, o denunciante também alegou que a administração do hospital teria orientado funcionários a não falar com a imprensa sobre o incidente.

Famílias criticam demora na comunicação. Entre os pacientes afetados está um adolescente de 15 anos. Seus pais, Lee e Karen Williams, disseram estar revoltados com a demora do hospital em comunicar o problema. “Eles sabiam disso há semanas e achamos que tentaram encobrir”, afirmou Lee ao WalesOnline.

Karen relatou o impacto ao receber a notícia por telefone. “Eu não conseguia assimilar. Eu pensava: ‘Como vou contar isso para o nosso filho?’ Isso não é algo com que um adolescente de 15 anos deveria se preocupar.” Segundo os pais, o jovem precisará retornar ao hospital durante seis meses para realizar exames que confirmem que ele não foi infectado por nenhum patógeno transmitido pelo sangue.

Conselho de saúde pediu desculpas. O Aneurin Bevan University Health Board, órgão responsável pela administração do hospital, se desculpou pelo incidente e afirmou que todos os pacientes potencialmente afetados foram contatados.

Os pacientes foram orientados a realizar “testes preventivos” para verificar possíveis infecções. Em comunicado, um porta-voz afirmou que o risco clínico é muito baixo.

“Reconhecemos plenamente a preocupação e o sofrimento que isso pode causar e lamentamos profundamente o ocorrido. O bem-estar de nossos pacientes é nossa maior prioridade e estamos tomando todas as medidas necessárias para entender como isso aconteceu e para evitar que se repita”, disse o conselho de saúde, em nota oficial.

Órgão também ressaltou que “foi um incidente muito isolado”. Além disso, afirmou que “não há motivo para preocupação em larga escala”.

O governo do País de Gales informou que está ciente do incidente de segurança envolvendo pacientes no Royal Gwent Hospital. “O conselho de saúde informou que se trata de um incidente limitado, que o risco clínico é extremamente baixo, que os pacientes afetados receberam apoio e que atualmente não há evidências de impacto mais amplo”.

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