SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que hoje “será o dia mais intenso de ataques” na guerra contra o Irã. As declarações ocorrem após líderes da república islâmica fazerem ameaças contra o presidente norte-americano, Donald Trump.
Pete Hegseth disse que as forças militares dos EUA intensificarão ataques contra o Irã nesta terça-feira. “Hoje será novamente o nosso dia mais intenso de ataques dentro do Irã. O maior número de caças, o maior número de bombardeiros, o maior número de ataques. A inteligência mais refinada e melhor do que nunca”, declarou durante coletiva de imprensa.
Hegseth ressaltou que os interesses dos EUA na guerra permanecem os mesmos. O secretário destacou que a Casa Branca deseja destruir os estoques de mísseis do Irã, além de sua indústria de defesa; destruir a Marinha iraniana e impedir que a República Islâmica consiga produzir armas nucleares.
Trump dará a palavra final para o conflito, afirmou Hegseth. “Nossa determinação é infinita, mas, no fim das contas, cabe ao presidente determinar o estado final desses objetivos”, completou o secretário.
EUA estão em guerra contra o Irã desde o final de fevereiro. Ao lado de Israel, o país lançou ofensiva militar em Teerã que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. O segundo filho dele, Mojtaba Khamenei, foi eleito para sucedê-lo.
Apesar de aliados, EUA e Israel têm divergido sobre um prazo para o fim da guerra. De um lado, Trump disse ontem que o conflito com o Irã “está praticamente encerrado”. “[O Irã] não tem marinha, não tem comunicações, não tem força aérea. Seus mísseis estão dispersos. Seus drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive suas fábricas de drones”, acrescentou o republicano.
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a guerra ainda não acabou. “Ainda não terminamos”, disse ele em declaração divulgada em comunicado após uma visita ao Centro Nacional de Comando de Saúde.
Netanyahu afirmou que Israel segue mirando a liderança clerical iraniana e disse que o objetivo é enfraquecê-la. “Com as medidas tomadas até agora, estamos quebrando os ossos deles e ainda não terminamos”, falou.
Autoridades iranianas reagiram às falas de Trump e ao avanço da ofensiva com ameaças e promessas de manter o confronto. Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, escreveu que o povo iraniano “não teme as ameaças vazias” e advertiu Trump: “tome cuidado para que o eliminado não seja você mesmo”.
Fala de Larijani foi em resposta à ameaça de Trump, que prometeu atacar o Irã com ainda mais força caso o bloqueio ao fluxo de petróleo no Golfo se mantenha. Ontem, Trump afirmou que, se a República Islâmica não parar com o bloqueio ao Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo, as consequências “serão graves” ao regime.
Além de Larijani, outras lideranças do Irã também ignoraram as advertências dos EUA sobre o bloqueio ao Estreito de Hormuz. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou hoje que “nenhum litro de petróleo” do Golfo será exportado enquanto prosseguirem os ataques de EUA e Israel ao país.
Abbas disse ainda que o Irã “está preparado” para manter a guerra. “Estamos preparados para continuar os ataques com mísseis pelo tempo que for necessário e sempre que for necessário”, falou ao canal americano PBS News.
Guarda Revolucionária também contestou a avaliação de Trump de que o conflito estaria perto do fim e disse que o Irã vai determinar quando a guerra termina. O porta-voz Ali Mohammad Naini afirmou que Trump tenta impor “pressão psicológica” com “mentira e engano” e declarou que o Irã seguirá “de pé contra as agressões dos EUA e de Israel”.
O Estreito de Hormuz continua no centro da disputa, com impacto direto no fluxo de petróleo e na navegação comercial. Trump ameaçou intensificar os ataques caso o bloqueio iraniano ao estreito – por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo – continue.
Bloqueio ao Estreito de Hormuz tem provocado abalos na economia mundial. Desde o início da guerra, o Irã tem barrado o fluxo na região, o que levou Trump a ameaçar se apossar do controle da rota marítima importantíssima para o mercado energético mundial.
Desdobramentos ampliam temores sobre o impacto na economia global. Diante da perspectiva de que os preços do petróleo permaneçam elevados por um longo período sem o arrefecimento da guerra, surgem as preocupações econômicas a respeito do conflito. Os principais riscos envolvem uma onda inflacionária e a desaceleração de crescimento dos países.