EUA estreiam drones kamikazes no ataque à Venezuela

Uma image de notas de 20 reais

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Diversos vídeos gravados por moradores da Venezuela durante o ataque americano do sábado passado (3) indicam que os Estados Unidos fizeram sua primeira ação militar com drones kamikaze, aderindo à nova era do combate moderno.

Nas gravações, é possível ouvir o inconfundível som agudo de drones movidos a hélice antes das explosões em locais como a base aérea La Carlota, a mais próxima ao complexo de Forte Tunia, onde o ditador Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram capturados por comandos americanos.

É a estreia do Lucas, drone que tira seu nome do acrônimo inglês para Sistema de Ataque e Combate Não Tripulado de Baixo Custo. O primeiro esquadrão equipado com o aparelho, desenvolvido pela empresa SpektreWorks, foi ativado no Oriente Médio no começo de dezembro.

O Pentágono não comentou até aqui o emprego, que marca uma virada histórica nas operações militares dos EUA, a maior potência bélica da história.

O Lucas é uma cópia presumivelmente mais avançada do clássico modelo iraniano Shahed-136, que virou uma das principais armas dos russos na Ucrânia.

Moscou produz o drone sob o nome de Gerânio-2, com diversas modificações: nesta semana, os ucranianos descobriram um aparelho caído num campo armado com um RPG (lançador de granadas propelidas a foguete) instalado na fuselagem. No fim do ano, outro carregava um míssil ar-ar.

Como o próprio nome americano diz, o Lucas é uma forma de baratear e ampliar a escala das ações. Uma unidade tem custo estimado em US$ 35 mil (R$ 188 mil). Em comparação, um míssil de cruzeiro Tomahawk americano pode custar US$ 1,3 milhão (R$ 7 milhões).

Com efeito, até aqui não houve relatos de que os Tomahawk tenham sido usados no sábado. Havia cerca de 250 unidades do modelo à disposição para uma primeira salva nos navios e submarinos que cercavam a Venezuela.

Ao descrever a operação, o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, Dan Caine, apenas afirmou que ela havia mobilizado 150 aeronaves diversas -incluindo aí aviões-radar, de reabastecimento, de guerra eletrônica, caças e bombardeiros, que abriram caminho para os helicópteros com os soldados de forças especiais que capturaram Maduro e sua mulher.

Ele citou que havia drones na área, sem especificar a função. Ao menos um robô RQ-170 Sentinel, uma asa voadora furtiva ao radar desenhada para reconhecimento, foi visto pousando depois da operação na base principal dos EUA na região, em Porto Rico.

Por evidente, algum Tomahawk pode ter sido utilizado, assim como quase certamente foram empregadas munições de caças F/A-18 estacionados no porta-aviões USS Gerald Ford, além de modelos de quinta geração F-22 e F-35 que estavam no aeródromo porto-riquenho.

Os EUA chegaram a ter a primazia no campo no começo do século, com os modelos de reconhecimento e combate ainda em amplo uso. Mas se tratam de aviões, com custos menores do que no caso de caças, mas ainda assim altos.

O Lucas se filia à tendência que surgiu no Oriente Médio e floresceu na Guerra da Ucrânia, a partir de 2022. Os EUA estão atrás de rivais como Rússia e China, mas também de aliados como Kiev. Em julho, o uma diretiva do Departamento de Defesa determinou a produção em larga escala do Lucas, modelo que já estava sendo considerado.

A lógica econômica da revolução desses drones, sem nem falar nos modelos miniaturizados que transformaram as linhas de frente da Ucrânia em locais quase intransitáveis, é irrefutável.

Um estudo do Centro Internacional de Estudos Estratégicos (EUA), usou estimativas de custo e comparou o custo-benefício dos ataques russos contra a Ucrânia de 2022 a 2024.

O resultado é que os Gerânio-2 entregavam um alvo destruído por US$ 350 mil (R$ 1,9 milhão), contando na avaliação sua menor eficácia e preço, número de ataques e destruição aferida. O míssil que teve o melhor resultado, o modelo de cruzeiro Kh-22, fazia o mesmo por US$ 1 milhão (R$ 5,4 milhões).

Voltar ao topo