Ex-presidente do Rioprevidência é preso após fundo virar alvo da PF por aplicações no Master

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso na manhã desta terça-feira (3) em Itatiaia, na região sul do Rio de Janeiro (a cerca de 180 km da capital), durante a segunda fase da Operação Barco de Papel.

Deflagrada pela PF (Polícia Federal) com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), a ação investiga aplicações do fundo fluminense no Banco Master. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento das pensões e aposentadorias dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

Antunes foi preso ao ser abordado em um veículo que teria sido alugado após passagem pelo aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo.

O gestor pediu demissão e foi exonerado da presidência do Rioprevidência pelo governador Cláudio Castro (PL) há menos de duas semanas, em 23 de janeiro. A saída ocorreu após Antunes virar alvo no mesmo dia da primeira fase da Operação Barco de Papel.

Naquela ocasião, policiais realizaram busca e apreensão em endereços dele e de outros dois executivos no Rio. Antunes estava no exterior.

Nesta terça, a PF afirmou cumprir três mandados de prisão temporária, além de nove de busca e apreensão. As ações miraram endereços no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

Duas pessoas seguiam foragidas durante a tarde. As autoridades não confirmaram as identidades.

Segundo a Polícia Federal, os mandados foram decretados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas. Antunes é apontado como principal alvo.

“Após o cumprimento do mandado de busca e apreensão no apartamento do principal alvo da operação deflagrada em 23 de janeiro, a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas de retirada de documentos do apartamento do investigado, manipulação de provas digitais, além da transferência de bens (dois veículos de luxo) para terceiros”, afirmou a corporação em nota nesta terça.

Procurada pela reportagem, a defesa de Antunes disse que “as questões estão sendo apuradas”.

A ação desta terça teve a participação da delegacia especial da PF no aeroporto de Guarulhos e da PRF em Itatiaia. O município fluminense fica na região de divisa com São Paulo.

A prisão de Antunes ocorreu por volta de 11h30, segundo a PF. O executivo foi conduzido por agentes da PRF para uma delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda, também no Rio de Janeiro.

Em seguida, seria encaminhado à superintendência da PF na capital. Ele deveria ser ouvido no local antes de ir para o sistema prisional.

Ao pedir demissão em janeiro, o ex-presidente enviou uma carta para Castro na qual disse que promoveu um “ciclo virtuoso de gestão” no Rioprevidência. Também afirmou no texto que nunca se eximiu de responsabilidades e que se colocava à disposição das autoridades.

“Por fim, enfatizo que repilo tentativas de inquinar como ilegal qualquer ato que pratiquei na gestão do Riopreviência, pois, como disse, sempre agi com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos, conduta essa que sempre pautou minha vida profissional nos locais onde trabalhei”, acrescentou.

A investigação analisa aplicações do Rioprevidência no Master que somam cerca de R$ 970 milhões. Conforme as informações oficiais, os investimentos ocorreram no período entre novembro de 2023 e julho de 2024.

As operações envolveram letras financeiras do banco sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ou seja, podem resultar em prejuízo para o fundo de aposentadorias.

O Master foi liquidado pelo BC (Banco Central) após suspeitas de um amplo esquema de irregularidades na instituição comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Ao justificar a ação desta terça, a PF disse que a Justiça considerou haver risco de destruição de provas e obstrução das apurações caso os investigados permanecessem em liberdade.

O governo Castro fez mudanças no comando do Rioprevidência na semana passada, depois da primeira fase da ação policial.

O governador exonerou Alcione Soares Menezes Filho do cargo de diretor de administração e finanças da autarquia. Para a mesma função, nomeou o servidor concursado Nicholas Ribeiro da Costa Cardoso.

Cardoso também assumiu a condição de presidente interino do Rioprevidência. Isso aconteceu porque, segundo o regimento interno do órgão, em caso de falta ou impedimento, o presidente deve ser substituído pelo diretor administrativo e financeiro. É o cenário atual.

Castro ainda nomeou Gilson Felix da Silva como diretor de investimentos. Ele substituiu Eucherio Lerner Rodrigues, que já havia deixado a autarquia. Rodrigues foi alvo da primeira fase da operação da PF no mês passado, assim como Antunes e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.

Silva chegou ao Rioprevidência em janeiro, após atuar no mercado financeiro, de acordo com informações disponíveis em perfil no LinkedIn.

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