[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Após um ano de desaceleração de 0,5% do varejo brasileiro, a rede de lojas de departamento Prioridade 10 entra em 2026 focada na ampliação de serviços para sustentar a trajetória de crescimento. Este ano, o plano é operar cartão de crédito próprio com bandeira Visa e oferecer serviço de telefonia em parceria com a Vivo e a TIM. Além disso, o fundador da empresa, Rogério Zorzetto, também coloca os dois pés em um novo projeto: o Hellow Move, franquia de concessionárias para motos elétricas. Com a nova bandeira, a meta é ter 100 franquias em 2026 e iniciar a expansão interncional. “Nossa estratégia está ancorada em eficiência operacional, leitura constante do mercado e proximidade com o consumidor”, disse.
Em entrevista exclusiva à AGÊNCIA DC NEWS, executivo deu detalhes das novas operações. Afirmou que o cartão terá limite de até R$ 400 para compras dentro e fora da rede, enquanto o chip Prioridade 10 inclui benefícios também para a troca de aparelho. Já o braço de mobilidade opera em regime de consignação, sem estoque para o franqueado e com receita adicional de manutenção.
A varejista de Santa Catarina, com forte atuação no Sul do país, projeta faturamento de R$ 265 milhões em 2026 com a bandeira Prioridade 10. Se confirmado, o resultado seria 3,2% superior ao registrado no ano passado. Com 100 unidades em operação distribuídas entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, a franquia trabalha com preço máximo de R$ 30 por item e tem expectativa de ultrapassar 110 lojas ainda neste ano.
A história da Prioridade 10 começa em 2014, quando Zorzetto, ex-militar do Exército Brasileiro, juntou R$ 25 mil trabalhando em três empregos simultaneamente e conseguiu um empréstimo de R$ 20 mil do pai para abrir a primeira loja em Cunha Porã (SC), município de 6 mil habitantes no extremo Oeste catarinense. O espaço tinha 60 metros quadrados, nenhuma rede de fornecedores estruturada e nasceu da experiência que Zorzetto acumulou vendendo produtos para colegas ainda dentro do quartel. “Eu vendia de tudo, graxa pra coturno, torrone, alfajor, desodorante”, disse.
Após cinco anos de serviço militar, ele trabalhou trazendo mercadorias do Paraguai para revenda até reunir capital para o primeiro ponto físico. A loja fez sucesso tão grande que em quatro meses ele teria condições de devolver o dinheiro emprestado pelo pai. “Aí eu peguei e fiz o quê? Fui lá e abri mais uma loja”, disse Zorzetto.
Sem conhecimento de gestão tributária e contábil, Zorzetto abriu quatro lojas em menos de um ano, todas registradas em seu nome e no da esposa Angélica Leising. A operação gerou autuação fiscal que resultou em multa de R$ 5 milhões pela Receita Estadual, reduzida a R$ 3,4 milhões após negociação e parcelamento com pagamentos mensais de R$ 150 mil. Para honrar a dívida, em vez de fechar as unidades, Zorzetto abriu mais cinco lojas. “Eu tinha opção de fechar as lojas, que era o que a maioria teria feito. Mas nunca pensei em desistir”, afirmou. Foi nesse momento que buscou assessoria especializada, estruturou uma holding, reorganizou o modelo tributário e começou a estudar contabilidade. “O empresário quando tá iniciando, sofre muito porque não tem um suporte, não sabe nada”, disse Zorzetto. “Nós teríamos mais empreendedores no Brasil se isso fosse ensinado na escola, por exemplo.”
A formatação como franquia começou em 2020, ano marcado pelo início da pandemia de covid-19 e pelo fechamento compulsório do comércio. Nenhuma das unidades foi fechada definitivamente, e a rede operou com atendimento via WhatsApp e redes sociais, com proprietários e familiares na linha de frente e redução de jornada conforme diretrizes governamentais. Aluguéis foram renegociados, muitas vezes com atuação direta de Zorzetto junto aos locadores. Quando o comércio foi liberado para circulação, as vendas dispararam. “Quando reabriu o comércio, as vendas triplicaram”, disse.
INTERIOR ESTRATÉGICO — A estratégia de expansão da Prioridade 10 se concentra em cidades pequenas e médias do Sul do Brasil. Das 100 unidades ativas em fevereiro de 2026, 84% ficam em municípios com menos de 100 mil habitantes, segundo análise baseada no Censo 2022 do IBGE, que também aponta que das 200 cidades que mais cresceram nos últimos anos no Brasil, 56% têm até 30 mil habitantes. O modelo da Prioridade 10 se sustenta em preço máximo de R$ 30 por item e mix que vai de vestuário a utilidades domésticas, brinquedos e produtos pet, totalizando mais de 10 mil SKUs. Para manter a estratégia de preço com produtos quase inteiramente nacionais (cerca de 80% de todo estoque), Zorzetto afirmou que a solução é comprar lotes inteiros de fornecedores e distribuir para todas as lojas. “Comprando um lote de 50 mil peças, por exemplo, eu consigo manter os preços assim.”
Das lojas pequenas no passado, hoje a Prioridade 10 investe em outro patamar de estrutura. A rede atualmente tem dois modelos: lojas com 400 m2, com faturamento médio anual de R$ 2,3 milhões e lucros mensais entre R$ 35 mil e R$ 40 mil; e de 600 m2, com R$ 2,8 milhões em receita anual e lucros mensais entre R$ 42,1 mil e R$ 51,4 mil. A rede soma mais de 4 mil colaboradores diretos e indiretos e mantém alta taxa de recorrência de investidores: 90% dos franqueados operam mais de uma unidade, com casos de empreendedores que concentram cinco, seis e até oito lojas. Em 2025, a categoria de confecção e vestuário liderou as vendas com 36,87% de participação, seguida por utilidades domésticas com 28,74% e brinquedos e decoração com mais de 9% do faturamento.
Diferentemente de franquias que investem alto em captação de leads e novos franqueados, a Prioridade 10 adota modelo orgânico de crescimento, baseado em indicações boca a boca de franqueados existentes. “Nossa venda de franquia é orgânica, gente que tem uma loja e conta para alguém, que vem nos procurar”, disse Zorzetto. A estratégia privilegia empreendedores que atuam diretamente na operação em vez de grandes investidores com múltiplas unidades gerenciadas à distância. “Queremos franqueado que cuide das unidades, que esteja na operação”, afirmou. “É o olho do dono que engorda o boi.”
FIDELIZAÇÃO E DIVERSIFICAÇÃO — Com a entrada em novos mercados, em especial os de serviços financeiros e telefonia, o executivo que o movimento visa manter o cliente retornando às lojas e gerar receita recorrente. A estatégia também será bonificar os trabalhadores por vendas contratadas. Segundo ele, colaboradores que cadastrarem clientes para o chip ganham R$ 12 por conta aberta. “Trabalhar 26 dias abrindo dez contas por dia dá mais de R$ 3 mil, sem contar salário e prêmios”, disse Zorzetto.
Sobre o universo das concessionárias de motos elétricas, segundo Zorzetto, em 30 dias, já foram vendidas dez franquias da Hellow Move, com investimento inferior a R$ 200 mil por unidade. As motos operam em regime de consignação, sem estoque próprio do franqueado, que recebe margem sobre vendas e também gera receita recorrente com serviços de manutenção. Em Palmitos (SC), cidade com 15 mil habitantes, a concessionária fatura entre R$ 120 mil e R$ 150 mil mensais vendendo em média dez motos por mês. Em São Miguel do Oeste (SC), são 35 motos mensais. “No primeiro mês faturamos mais de R$ 1 milhão”, afirmou. Hoje as dez primeiras unidades estão distribuídas entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Na inauguração da primeira unidade, em Cunhã Porã (SC), no final de novembro passado, Rogério Zorzetto, que além de CEO da Prioridade 10 comanda a Hellow Move disse que a ideia da operação nasceu no final de 2024 “A Hellow Move é fruto de uma visão de futuro — acreditamos que a mobilidade elétrica é o caminho natural para um mundo mais sustentável e acessível.” Na ocasião foram lançadas as 10 primeiras franquias da marca, e o projeto nacional começa este ano, com a previsão de 100 unidades em operação no Brasil. “Em seguida levaremos a marca para o cenário internacional.”