Expectativa de crescimento da carteira de crédito em 2026 sobe de 8,2% para 8,4%, diz pesquisa

Uma image de notas de 20 reais

São Paulo, 19 de fevereiro de 2026 – A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da FederaçãoBrasileira de Bancos (Febraban) divulgada na quarta-feira (18) revela uma elevação na expectativade crescimento da carteira de crédito total em 2026, que subiu de 8,2%, na pesquisa de dezembro,para 8,4% na pesquisa atual. Em linha com os números recentes do segmento, o levantamento mantém atendência de desaceleração gradual do mercado de crédito – em 2025, a expansão do saldosituou-se na faixa de dois dígitos (10,2%).

Os dados refletem o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado ao longo do ano,cuja projeção subiu de 9,4% para 9,6%. Essa alta é explicada pelo crédito para empresas, que seelevou de 9,7% para 11,1%, sustentado pelos programas governamentais para as micro, pequenas emédias empresas. Na carteira direcionada às famílias, a expectativa de crescimento caiuligeiramente, de 9,1% para 9,0%, dados os sinais ainda de baixo dinamismo no crédito rural.

Na carteira livre, a expectativa de crescimento ficou estável em 7,6%. De um lado, o crescimentoesperado para a carteira para pessoas físicas (PF) subiu de 8,6% para 9,1%, em função daresiliência do mercado de trabalho, que tem impulsionado as linhas voltadas para o consumo. Deoutro, houve redução na projeção para a carteira de pessoas jurídicas (PJ), que caiu de 6,2%para 5,6%.

A Pesquisa mantém o viés de alta para as projeções do mercado de crédito, algo que temosobservado desde o ano passado. Assim, mesmo com uma taxa Selic bastante elevada, o crédito devemanter um bom ritmo de expansão neste ano, ainda que com leve moderação, avalia RubensSardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

Essa revisão altista nas projeções segue concentrada na carteira livre destinada às famílias ecom recursos direcionados para as empresas, complementa Sardenberg.

Selic

O levantamento também aponta que, após a reunião do Comitê de Política Monetária do BancoCentral de janeiro, os bancos brasileiros avaliam que o Copom irá cortar a taxa básica de juros(Selic) em 0,50 ponto percentual em março, seguindo com este ritmo de cortes nas próximasreuniões. Além disso, pouco mais de 60% dos participantes acreditam que os juros básicos devemficar abaixo de 12,25% ao ano em dezembro, nível inferior ao da atual expectativa trazida peloBoletim Focus, do Banco Central.

Para a maioria dos participantes (76,2%) foi adequada a decisão do Copom de manter os jurosinalterados em janeiro e já sinalizar o início do ciclo de flexibilização em março.

A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban ouviu 21 bancos entre 3 e 9 defevereiro. A pesquisa é realizada de 45 em 45 dias, logo após a divulgação da ata da últimareunião do Copom.

PIB

A Pesquisa captou um aumento da dispersão das projeções para o PIB deste ano. Caiu de 55,0% para38,1% a proporção daqueles que projetam um crescimento na faixa de 1,8% para 2026 (atual consensode mercado). Por outro lado, aumentou a proporção daqueles que esperam um crescimento menor(33,3%) ou maior (28,6%) do que tal patamar, embora sem uma direção clara. De todo modo,interessante observar que o percentual daqueles que esperam PIB maior que o consenso (1,8%) subiu deforma expressiva. Como dissemos foi a 28,6% dos respondentes, mas este número estava em apenas 15%na pesquisa anterior.

Fiscal

A maioria dos participantes (71,4%) entende que o governo precisará adotar medidas adicionais paracumprir a meta fiscal deste ano (pouco abaixo do observado na pesquisa anterior, de 80,0%). Destes,47,6% esperam que a agenda seja focada em medidas do lado das despesas (contingenciamento ouexclusão de despesas da meta).

Inadimplência

A projeção para a inadimplência da carteira livre para 2026 ficou estável em 5,2%, após fechar2025 em 5,5%, reforçando a expectativa de que a inadimplência está próxima do seu pico e quedeve começar a cair em breve, com a proximidade do início de queda da taxa Selic. Para 2027, aprojeção é de 4,9%, mantendo a expectativa de recuo do indicador.

Crédito em 2027

A Pesquisa também captou pela primeira vez projeções para 2027. A expectativa de crescimento dacarteira total ficou em 7,7%, patamar um pouco inferior ao projetado para este ano (8,4%). Aprojeção reflete altas esperadas de 7,4% para a carteira livre e de 8,3% para a direcionada.

Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)

Copyright 2026 – Grupo CMA

Voltar ao topo