FIEMG avalia política industrial brasileira de minerais críticos sob o acordo UE e Mercosul, atualmente suspenso

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São Paulo, 21 de janeiro de 2026 – A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG)divulgou uma avaliação sobre a estratégia industrial do Brasil, em relação ao acordo assinadoentre o Mercosul e a União Europeia, atualmente suspenso. Nesta quarta-feira, o Parlamento Europeuaprovou a revisão jurídica do acordo UE-Mercosul, em Estrasburgo. O procedimento consumirá aomenos dois anos.

Assinado no último sábado (17) por representantes do bloco sul-americano e por Ursula von derLeyen, presidente da Comissão Europeia, o acordo de livre comércio criaria o maior mercado dogênero no mundo, com 722 milhões de consumidores. Agora, promete entrar em nova espiral de espera.

Como destaca a FIEMG, no acordo assinado entre Mercosul e União Europeia, assinado depois de quase25 anos de conversas, o Brasil preservou o direito de adotar políticas industriais no setor,incluindo a possibilidade de restringir ou taxar exportações de minerais críticos, com alíquotasde até 25%, para estimular processamento, refino e beneficiamento no país.

Na prática, esse ponto abriria espaço para que o Brasil dispute etapas mais rentáveis da cadeia como a produção de insumos para baterias, ímãs permanentes e tecnologias de transiçãoenergética em vez de se limitar à venda de minério bruto.

A FIEMG entende que o país teria que enfrentar muitos desafios de tecnologia, regulamentação einvestimento para reduzir a dependência da China e aproveitar a transição energética global.

O mundo inteiro está em busca de terras raras por serem cruciais para a tecnologia moderna,especialmente para produtos eletrônicos, energias renováveis e de defesa comercial. No momento, aChina domina a produção e o refino, enquanto o Brasil detém a segunda maior reserva de terrasraras, estando em Minas Gerais a maior parte delas, explica a federação.

Segundo a FIEMG, além da busca dos europeus pelos minerais de extração e processamento complexose caros, os Estados Unidos também estão na corrida por eles. Donald Trump está mirando naGroenlândia, a maior ilha do planeta, com algumas das mais ricas reservas de recursos naturais domundo, o que inclui matérias-primas essenciais recursos como lítio e elementos de terras raras(ETRs), que são essenciais para tecnologias verdes além de outros minerais e metais valiosos.

Três dos depósitos de ETRs da Groenlândia, nas profundezas do gelo, podem estar entre os maioresdo mundo em volume, com grande potencial para a fabricação de baterias e componentes elétricosessenciais para a transição energética global.

“Diante dessa realidade e após a assinatura do acordo entre Mercosul e a União Europeia, o Brasilestá ainda mais interessado em explorar esse potencial estratégico para diversificar o mercado,atrair investimentos e criar uma cadeia produtiva nacional”, comentou a FIEMG, em análise.

Atuação da FIEMG em minerais estratégicos

A FIEMG está na vanguarda no setor de minerais estratégicos ao investir no Instituto de TerrasRaras do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa, na Grande BeloHorizonte, espaço dedicado à pesquisa, beneficiamento e desenvolvimento de novas tecnologiasligadas a materiais críticos.

É a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina: o início de um projeto pioneirovoltado ao desenvolvimento de ímãs de terras raras no Estado e à otimização da produção deprodutos de nióbio e terras raras, em BH, Itaúna e Lagoa Santa.

Em dezembro de 2025, o CIT SENAI ITR produziu, experimentalmente, o primeiro lote de ímãs deterras raras, que chega a pesar entre 5 e 10 quilos. A produção prossegue em 2026 ainda em baixovolume. Entretanto, segundo André Pimenta, coordenador de pesquisa do instituto, a iniciativa é umgrande marco para o instituto e vai ajudar os pesquisadores a entenderem cada etapa do processoprodutivo dos imãs sem que haja alto custo. Em 2026, o instituto irá aprimorar a qualidade doímã, customizando-o conforme as diferentes aplicações industriais. Lembrando que o SENAI nãopode comercializar o material.

O CIT SENAI ITR segue utilizando matérias-primas da China, mas há perspectiva, ainda que empequena escala, de usar insumos nacionais ainda em 2026. A princípio, o material será fornecidopor três mineradoras que integram o projeto MagBras, do qual o instituto também faz parte.

Em relação à infraestrutura do instituto, o Sistema FIEMG está em negociação para a compra deum importante equipamento. Trata-se de forno de redução eletrolítica, que transforma os óxidosde terras raras em metais. Esse movimento no mercado é um passo importante para o ITR e o MagBrasporque a máquina vai operar numa escala intermediária entre projeto piloto e industrial.

Além do ITR, em dezembro passado, a FIEMG negociou, no Reino Unido, a criação de um hubtecnológico para baterias e eletrificação. A proposta foi apresentada durante missãointernacional liderada pelo presidente da entidade, Flávio Roscoe, que debateu o futuro damobilidade elétrica, o uso responsável de matérias-primas e as possibilidades de integraçãoentre países da América do Sul e o Reino Unido.

O hub deverá reunir centros de pesquisa, universidades, empresas e instituições industriais comfoco na inovação de soluções para baterias, eletrificação e economia verde.

Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)

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