SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo da França anunciou nesta segunda-feira (26) que vai ampliar o uso do Visio, aplicativo próprio de videoconferência, em todos os órgãos públicos até 2027, com o objetivo de substituir soluções estrangeiras como Microsoft Teams, Zoom, Webex e GoTo Meeting.
Desenvolvido internamente pela Direção Interministerial de Serviços Digitais (Dinum), o Visio deve se tornar o único aplicativo de videoconferência usado por servidores públicos do país. O anúncio foi feito pelo ministro delegado do Serviço Público e da Reforma do Estado, David Amiel.
Segundo o governo, a iniciativa busca reforçar a soberania digital, reduzir dependências estratégicas de infraestruturas de fora da Europa e oferecer maior segurança e confidencialidade nas comunicações do setor público.
O governo também estima uma economia de 1 milhão de euros (R$ 6,2 milhões) a cada 100 mil usuários com o cancelamento de licenças comerciais e a migração para o novo software.
Diferentes ministérios e órgãos do país utilizam hoje uma variedade de plataformas, o que, de acordo com o Executivo, aumenta riscos de segurança, eleva custos e dificulta a cooperação entre áreas do governo.
No Brasil, o uso também varia de acordo com o órgão. Estudo realizado por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da UnB (Universidade de Brasília) divulgado no ano passado estimou que entre junho de 2024 e junho de 2025 o país gastou R$ 10,3 bilhões com licenças de software, serviços de nuvem, aplicações de segurança e serviços similares oriundos de corporações estrangeiras.
Segundo comunicado do governo francês, a adoção de uma solução única, controlada pelo próprio Estado e baseada em tecnologias francesas, é vista como um passo para fortalecer a resiliência digital do país.
Lançado de forma experimental há um ano, o Visio já conta com 40 mil usuários regulares e está em fase de implantação para 200 mil servidores públicos.
Entre as primeiras instituições a adotar a ferramenta em larga escala estão o CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), a Previdência Social, a Direção-Geral de Finanças Públicas e o Ministério das Forças Armadas, com migração prevista para o primeiro trimestre de 2026.
No CNRS, até o fim de março as licenças do Zoom serão substituídas pelo Visio, migrando cerca de 34 mil funcionários e 120 mil pesquisadores associados para a plataforma francesa.
O Visio foi desenvolvido com apoio da agência francesa de segurança cibernética (ANSSI) e utiliza infraestrutura hospedada na Outscale, subsidiária da Dassault Systèmes.
A ferramenta também incorpora recursos de inteligência artificial, como transcrição automática de reuniões, baseada em tecnologia da startup francesa Pyannote, e deve ganhar legendagem em tempo real até meados do ano.