França suspende importação de frutas do Mercosul com agrotóxicos proibidos na Europa

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou no início da noite deste domingo (5) a suspensão da importação de frutas da América do Sul que contenham agrotóxicos proibidos na Europa. A medida, um agrado aos agricultores locais, pode complicar ainda mais as tensas tratativas para a ratificação do polêmico acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

“Portarias serão adotadas pelo governo esta semana para suspender a importação de gêneros alimentícios provenientes de países da América do Sul, como abacates e maçãs, contendo resíduos de cinco substâncias no entanto já probidas na Europa”, afirmou Lecornu em uma “carta aberta aos agricultores da França”.

Em post na rede X, ele citou especificamente as cinco substâncias: mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. Além de abacate e maçã, na publicação ele cita manga, goiaba, cítricos e uvas como atingidos pelo ato.

Segundo Lecornu, “os controles sobre as importações serão maciçamente reforçados, nas fronteiras e dentro do território [francês]”. “Acabo de endurecer as instruções a esse respeito. Cabe doravante à União Europeia amplificar rapidamente essas ações na escala de todo o mercado europeu”, acrescentou.

A França tem sido a maior opositora ao tratado de redução de tarifas, devido ao poderoso lobby de seus agricultores, temerosos da concorrência dos produtos sul-americanos. Em dezembro, dias antes da assinatura final do acordo pelos dois blocos, os franceses conseguiram o apoio da Itália para prorrogar as negociações até janeiro, alegando a necessidade de salvaguardas e mais controles sanitários.

O adiamento irritou Lula, que pretendia coroar com a assinatura o final de seu período de seis meses na presidência rotativa do Mercosul. Em conversa com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente brasileiro concordou em deixar a cerimônia para o início deste ano.

O Brasil acena, porém, com o abandono das negociações caso ocorra nova postergação. A França continua trabalhando nos bastidores para sabotar a entrada em vigor do acordo – que ainda dependerá da aprovação do Parlamento Europeu, mesmo que ocorra a assinatura.

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