[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A rede de microfranquias Asia Source Brasil projeta movimentar R$ 2,2 bilhões em negociações comerciais até 2033 ao assumir a gestão completa de importação para PMEs. A rede, que registrou um faturamento próprio de R$ 36 milhões em 2025 e prevê atingir R$ 52 milhões em 2026, foca sua estratégia na redução dos riscos financeiros e operacionais de varejistas que buscam o mercado asiático, mas enfrentam a volatilidade dos custos logísticos globais. “O empresário não precisa dominar sozinho todas as etapas para começar, pois as PMEs podem operar com método e previsibilidade”, afirmou Luís Müller, fundador da empresa, em entrevista à AGÊNCIA DC NEWS.
Criada em janeiro de 2019, a empresa consolidou um modelo de expansão baseado em unidades sem ponto físico, permitindo que o empreendedor atue com foco comercial enquanto a base técnica permanece centralizada na franqueadora. Atualmente, a rede soma 152 unidades distribuídas pelo país, atuando em setores estratégicos como autopeças, maquinário industrial e construção civil.
Para acelerar o plano de expansão, a empresa passou a integrar a holding Grupo 300 Franchising, ecossistema de aceleradoras de franquias. O objetivo é fortalecer a marca em polos industriais e logísticos, mantendo o modelo de microfranquia com investimento inicial a partir de R$ 49 mil. Na prática, os franqueados da empresa passam a integrar um hub com fornecedores em países como China, Colômbia e Portugal, e passam a buscar clientes brasileiros interessados em importar produtos. Ao franqueado ficam as responsabilidades de acompanhar o processo junto ao cliente, apresentando soluções, preços e riscos. A franqueadora, por sua vez, cuida do processo burocrático da importação para PMEs, desde a área aduaneira até a logística. “Nosso modelo escala porque oferece segurança técnica para quem antes importava sem suporte”, disse Müller
A aposta da rede aparece em um momento único para as pequenas e médias empresas que olham para o mercado global. Por um lado, o mundo enfrenta uma série de tensões geopolíticas em praticamente todos os continentes, por outro, a perspectiva do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre um novo leque de oportunidades fora das fronteiras brasileiras.
Segundo dados do ComexStat, do governo federal, no ano passado o Brasil importou US$ 280,2 bilhões, alta de 6,5% sobre um ano antes. A China respondeu por US$ 70,9 bilhões, ou um quarto do total. A União Europeia, por sua vez, somou US$ 50,2 bilhões. Segundo Müller, a redução das barreiras comerciais está diretamente associada ao acesso digital dos fabricantes e à profissionalização da logística, mas para aproveitar o bom momento, as empresas menores precisam de empresas que forneçam suporte passo a passo para não cair em ciladas.
GARGALO – O modelo da Asia Source Brasil nasce da experiência prática do fundador. Natural de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul – maior fronteira rodoviária de movimentação de caminhões do Brasil –, ele cresceu em família de caminhoneiros: pai, avô e tio atuavam nas estradas. Quando se mudou para Santa Catarina, em 2009, aproximou-se do ambiente portuário e das cadeias globais de suprimentos. Uma viagem à China, em 2016, revelou a lacuna que deu origem à empresa, fundada em janeiro de 2019.
A empresa parte de um diagnóstico recorrente no comércio exterior brasileiro: importar da Ásia envolve riscos financeiros, operacionais, tributários e logísticos que muitas empresas não estão preparadas para administrar sozinhas. “Muitos empresários entram sem estrutura, movidos apenas por preço”, disse. Entre os erros mais comuns, ele citou a escolha de fornecedores sem validação, cálculos incompletos de custos, descumprimento de exigências regulatórias e falhas no planejamento de prazos e embarques.
A solução da Asia Source Brasil é atuar como gestora, e não apenas intermediadora, do processo completo de importação para PMEs: análise tributária, homologação de fornecedores, execução logística e acompanhamento aduaneiro. “Utilizar a Asia como gestora não serve apenas para ‘comprar uma vez’”, afirmou o executivo. “Ela cria processo, padrão, critérios de fornecedor, rotina de reposição, gestão de risco e previsibilidade.”
Nesse cenário, a empresa busca oferecer estrutura técnica para operações que historicamente eram restritas a companhias com grande escala. “Não significa que seja impossível importar sozinho, mas significa que o custo de erro ficou alto demais”, afirmou Müller. O desembaraço alfandegário ainda aparece como gargalo relevante no processo, mas, segundo ele, muitos dos problemas surgem antes mesmo do embarque. “O desembaraço muitas vezes é só o lugar onde o erro aparece, não onde ele começou”, disse. Falhas em classificação fiscal, descrição de mercadorias ou alinhamento entre fornecedor, importador e despachante são alguns dos pontos que mais geram prejuízo.
Segundo Müller, no plano operacional, a empresa mantém equipes próprias na China e nos Estados Unidos, responsáveis pela auditoria e inspeção de fornecedores e pelo acompanhamento logístico e documental das operações. O modelo é replicado por meio de treinamentos remotos duas vezes por semana, uma universidade corporativa e convenções presenciais semestrais.