Governo contrata mais 500 MW de energia térmica em segunda fase de maior leilão do ano

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

lSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo federal contratou nesta sexta-feira (20) cerca de 500 MW (megawatts) de energia térmica vinda de usinas movidas a óleo combustível, diesel e biodiesel –os dois primeiros são combustíveis fósseis. Com a contratação, o Ministério de Minas e Energia fecha o leilão de reserva de capacidade, o mais aguardado do ano pelo setor elétrico.

O objetivo é abastecer o sistema em momentos de falta de energia, principalmente no início das noites, quando as placas solares param de funcionar e a demanda por energia cresce.

Do total contratado, 20 MW virão de usinas existentes movidas a óleo combustível e 383 MW de diesel, sendo que 56% desse montante estará disponível já em agosto deste ano e o restante em agosto de 2027. O contrato, nesse caso, prevê suprimento de três anos.

Já as usinas de biodiesel entregarão 98,4 MW e começarão a operar em agosto de 2030, com suprimento de dez anos. Elas também já são existentes, sem necessidade de construir novas plantas.

O deságio médio do leilão desta sexta foi de 50,14%, bem acima do certame de quarta (18), quando os 19 GW (gigawatts) contratados de térmicas e hidrelétricas custaram só 5,52% menos do que o teto estipulado pelo governo semanas antes. A diferença pode estar atrelada à menor demanda contratada e ao menor número de rodadas (desta vez foram 3, contra 8 no de quarta), o que pode ter aumentado a competição entre as usinas participantes.

Ao todo, as térmicas contratadas nesta sexta custarão ao sistema elétrico do país R$ 979 milhões enquanto estiverem em operação. O valor é bem menor do que os R$ 515,7 bilhões do leilão de quarta. Além disso, o governo não prevê investimentos, já que as usinas já são existentes.

A maior vencedora do leilão desta sexta foi a Petrobras, que vai injetar 332,5 MW no sistema. Venceram também o certame as empresas Xavantes e CEP Energia.

O leilão de reserva de capacidade era tido por especialistas como o mais importante do ano. A expectativa era alta tanto pelo montante a ser contratado quanto pela função que essas térmicas vão exercer no sistema elétrico enquanto estiverem operando.

Hoje, a rede do país vive excesso de geração em alguns períodos do dia e falta em outros, principalmente no início das noites, quando as placas solares desligam e o consumo residencial aumenta.

Como as térmicas não dependem de condições meteorológicas para gerar energia, elas são tratadas como fontes que dão segurança à rede elétrica, ao contrário de placas solares, turbinas eólicas e, em certa medida, hidrelétricas.

O montante contratado nos dois certames, no entanto, assustou os consumidores de energia e alguns analistas do setor, que esperavam uma demanda de até 10 GW ao todo.

A Abrace, associação que representa os grandes consumidores de energia do país, disse que o volume contratado no certame vai além do necessário para o momento e representa um aumento médio superior a 10% na conta de luz. O mesmo valor foi calculado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia e pelo movimento União pela Energia, que reúne associações da indústria brasileira.

Já o governo diz que a expansão da rede elétrica é importante para o país. Além disso, afirma que moldou a competição para que só térmicas que ligam e desligam mais rapidamente pudessem ser contratadas, o que nas contas do MME fez com que o acréscimo na conta de luz fosse 24% menor do que se esse atributo não existisse.

O governo também refutou a possibilidade de reduzir a contratação de baterias, prevista inicialmente para este semestre. Como as baterias também têm a função de injetar energia em momentos de pico da demanda, o setor temia que a grande contratação de térmicas pudesse atrapalhar o volume disponibilizado no leilão desses equipamentos.

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ONDE ESTÃO AS TÉRMICAS CONTRATADAS

Óleo combustível

– Petrolina (PE) – operada pela CEP

Diesel

– Canoas (RS) – operadora pela Petrobras

– Goiânia (GO) – operada pela Xavantes

– Caucaia (CE) – operada pela Petrobras

Biodiesel

– Petrolina (PE) – operada pela CEP

– Goiânia (GO) – operada pela Xavantes

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