RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Donos de postos de gasolina afirmam que as grandes distribuidoras de combustíveis do país começaram a repassar aumentos ao preço dos combustíveis, embora a Petrobras ainda não tenha alterado o valor de venda do combustível em suas refinarias.
Aos revendedores, as distribuidoras afirmam que a escalada das cotações internacionais do produto desde o início da guerra no Irã encareceu as importações, principalmente de diesel, que respondem hoje por cerca de um quarto do mercado brasileiro do combustível.
O sindicato dos postos do Rio de Janeiro divulgou nota nesta quinta-feira (3) falando de aumentos por parte das distribuidoras, citando nominalmente as três maiores do país: Vibra, Ipiranga e Raízen.
“As atacadistas argumentam que também adquirem o derivado de importadoras”, diz o sindicato. “Estas, segundo as companhias, já estão aumentando os preços em razão da guerra em curso no Oriente Médio”, completa.
A reportagem apurou que também houve aumento para revendedores ao menos em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Um dono de postos na capital paulista disse que a alta é de R$ 0,26 por litro desde o início da semana.
Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a Ipiranga diz que, “devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços do petróleo e derivados, informamos que haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março”.
A reportagem procurou as empresas. Raízen disse que não comentaria e as outras duas ainda não responderam. Um executivo de uma delas repetiu o argumento de que as empresas precisam repassar a alta do produto importado.
“As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na íntegra”, questiona o Paranapetro, que representa os postos do Paraná. Em nota, fala em “altas expressivas” de preços.
Na abertura do mercado desta quinta, o preço do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
A Petrobras diz que segue avaliando o cenário e que só promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos patamares. Nesta quinta, o petróleo segue em alta. Por volta das 15h, a cotação do Brent subia cerca de 4% e se aproximava dos US$ 85 por barril.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do combustível no país em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.