[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A Homedock, empresa de móveis com sede em Guapiaçu (SP), está reformulando sua marca e investindo na contratação de especialistas em decoração para repensar seu modelo de negócios. O plano, segundo a sócia e CEO Daniela Costa, é trabalhar para voltar às origens. “Quando começamos, o meu sócio tinha a ideia de dar autonomia para o cliente montar sua própria casa.” A virada se dá em um momento em que a empresa vai bem, mas se desconectou de seu passado. “O negócio foi se transformando e ficamos longe daquilo que nos movia lá atrás, do que nós acreditamos”, disse. No ano passado, a Homedock realizou 40 mil pedidos e faturou R$ 57 milhões. Para este ano, o objetivo é crescer 14% com faturamento encostando em R$ 65 milhões.
De acordo com a executiva, com o crescimento da empresa, o processo de venda se tornou mais mecânico que intuitivo, se afastando a ideia inicial da empresária. Daniela, que atua ao lado do irmão e o sócio Fernando Pereira, tem uma história no ramo moveleiro que antecede 2013 – ano em que a empresa foi lançada. A empresária vem de uma longa tradição no segmento moveleiro, que começou com um comércio similar fundado pelo seu pai e avô: a Província Casa, loja e fábrica de móveis nascida em 1976 e que este ano completa meio século de existência.
O ramo em que a família atua é promissor. A produção de móveis no Brasil movimenta mais de R$ 90 bilhões por ano, com 347,3 milhões de peças comercializadas entre janeiro e novembro de 2025, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). O país é um dos grandes exportadores de móveis, com US$ 769,3 milhões (R$ 4 bilhões) embarcados no ano passado, ante US$ 315,1 milhões (R$ 1,6 bilhão) importados. São 22,3 mil companhias em atividade, entre elas, a Homedock. Fundada em 2013, a empresa foi uma iniciativa dos irmãos para criar um novo modelo de negócios a partir da companhia dos seus familiares. O pontapé inicial do negócio, afirmou Daniela, foi um simulador virtual no estilo The Sims em que os clientes podiam desenvolver o próprio projeto de decoração com a escolha dos móveis que lhes parecessem mais adequada.
“O que a gente percebeu é que era muito difícil. As pessoas queriam soluções prontas”, disse. “Ao longo dos anos, nos rendemos comercialmente a produtos que têm um giro melhor. Mas nunca desistimos da ideia.” Para “resgatar essa essência”, conforme ela disse, a Homedock está baseando seu investimento em três frentes. A primeira delas é o rebranding, com o arredondamento das letras utilizadas no slogan e aplicação das cores verde e lilás, que remetem à natureza. A repaginação também vale para as redes sociais. Outra medida foi a contratação de um personal shopper que substituirá as vendas por meio da inteligência artificial. O profissional é formado em arquitetura, especializado em neuroarquitetura e “psicologia do morar”, segundo a empresária – e ficará responsável por fazer uma espécie de entrevista com os clientes na escolha dos móveis mais adequados para eles.
A terceira mudança é que desde o ano passado, a companhia se considera parte de um movimento iniciado por um indiano e um americano nos EUA, em 2010, com a fundação do Instituto do Capitalismo Consciente. “Todos os nossos colaboradores este ano vão passar pelo treinamento dessa ONG, que acredita no ganha-ganha entre stakeholders”, afirma Daniela. Segundo ela, tal conceito se baseia de modo geral em quatro pilares: propósito maior, orientação para stakeholders, liderança consciente e cultura consciente. A organização está presente em 50 países e, no Brasil, tem mais de 160 empresas parceiras.
A Homedock também tem uma filosofia própria para os negócios, que é baseada em design, tecnologia e natureza. Formada em psicologia, Daniela acredita que “a casa é uma extensão do indivíduo”. Mas o que é um móvel ideal para esse ou aquele cliente? O portfólio da empresa tem mais de 750 itens em exposição, como mesas, cadeiras, pufes e outras peças domésticas, tudo feito com madeira de reflorestamento e certificado FSC. São objetos escolhidos a dedo entre dezenas de fornecedores no Brasil ou importados da China e da Índia (no ano passado, as importações indianas ficaram de lado).
Ela dá o exemplo na escolha de uma mesa retangular ou oval: a retangular inspira um senso de hierarquia e autoridade, enquanto um tampo com as pontas arredondadas promove a aproximação entre pessoas, criando uma atmosfera horizontal. A elaboração de ambientes que remetem à natureza, com móveis de características orgânicas e que estão entre as preferências da companhia, é uma tendência, aliás, que a empresária destaca. “O design orgânico veio com tudo”, afirma, explicando que a clientela, hoje em dia, se apresenta com uma espécie de “frieza” por conta da tecnologia, porém com uma vontade crescente de humanizar o próprio lar. “O que vai diferenciar agora e o que vamos lançar é estudado diante do cenário que as pessoas estão vivendo.”