Hong Kong condena Jimmy Lai, símbolo pró-democracia, a 20 anos de prisão

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PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) – Jimmy Lai, 78, magnata da mídia pró-democracia em Hong Kong, foi condenado a 20 anos de prisão no mais longo julgamento já registrado sob a Lei de Segurança Nacional, imposta pela China em 2020. O empresário foi sentenciado com base na acusação de sedição, além de conluio com forças estrangeiras, crime que prevê prisão perpétua como pena máxima.

Lai é fundador e dono do jornal pró-democracia Apple Daily, que encerrou suas atividades em 2021 após uma ofensiva das autoridades, e uma das principais figuras julgadas sob a lei até agora.

Ele foi preso pela primeira vez em 2020 e condenado no ano passado após um julgamento que durou quase cinco anos e gerou 855 páginas judiciais, sendo visto como um marco da aplicação da legislação.

Os promotores do caso afirmaram que Lai pedia sanções contra Pequim e Hong Kong, o que ele nega. O magnata afirmou que jamais defendeu medidas contra o país após a imposição da Lei de Segurança Nacional, o que classificou de “suicídio”. Disse ainda que a linha editorial do jornal refletia os valores da sociedade de Hong Kong, marcada pela defesa da democracia e das liberdades.

A legislação foi criada pelo regime chinês em resposta aos protestos pró-democracia que ocorreram em Hong Kong em 2019 e criminaliza atos de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras. Na época, Pequim afirmou que os direitos e liberdades dos cidadãos do território autônomo seriam respeitados.

O caso chamou a atenção de líderes internacionais e de organizações em prol dos direitos dos jornalistas e da liberdade de imprensa. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou a prisão de Lai e chegou a dizer que poderia incluir o assunto nas negociações da guerra comercial com Pequim, o que parece não ter acontecido. O americano afirmou, à época da condenação, que se sentia muito mal com a decisão judicial e que fez um apelo ao líder do regime chinês, Xi Jinping.

O Reino Unido também acompanhou o processo, uma vez que o empresário é cidadão britânico. Autoridades do país chegaram a dizer que consideram o julgamento político e pediram a libertação do magnata. Em visita a Pequim, o premiê do Reino Unido, Keir Starmer, teria abordado o caso durante uma de suas reuniões com Xi. Ao Parlamento britânico após a viagem, o político afirmou que pediu ao líder chinês a libertação de Lai. A China não reconhece a dupla cidadania e, por isso, Lai foi julgado apenas como cidadão chinês.

Após a condenação em dezembro, um grupo de especialistas da ONU expressou “grande decepção” com o resultado do processo e declarou que o desfecho é um exemplo simbólico do declínio drástico das liberdades fundamentais de Hong Kong desde 2019.

Familiares e organizações de direitos humanos também se preocupam com as condições de saúde do magnata, que é diabético, hipertenso e tem problemas cardíacos. Foram denunciadas restrições a tratamentos médicos, além de tempo excessivo em confinamento solitário.

À Folha de S. Paulo no ano passado, o regime chinês afirmou que Hong Kong oferece condições seguras, humanas e adequadas de detenção, além de diagnóstico e tratamento médico apropriados para Lai.

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