Houthis do Iêmen entram na guerra e ampliam tensão no Oriente Médio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os rebeldes houthis do Iêmen, por quase um mês restritos a declarações de apoio ao aliado Irã, lançaram mísseis contra Israel neste sábado (28), seu primeiro ataque desde o início da guerra, que completa um mês neste domingo (29).

O envolvimento dos houthis amplia o escopo da guerra e promete prolongá-la ao reabrir outra frente de combates. Os rebeldes afirmaram que suas operações continuariam até que a “agressão” em todas as frentes chegasse ao fim.

Israel afirmou ter interceptado um míssil proveniente do Iêmen. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os Estados Unidos esperam concluir as operações militares em poucas semanas.

O conflito, iniciado com ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, espalhou-se pelo Oriente Médio, matando milhares de pessoas e causando a maior interrupção já registrada no abastecimento de energia mundial, afetando a economia global e alimentando temores de inflação.

Os houthis haviam afirmado na sexta-feira (27) que estavam preparados para agir caso a escalada contra o Irã e o Eixo da Resistência, forma como Teerã chama os grupos alinhados à República Islâmica, continuasse. Os rebeldes iemenitas demonstraram capacidade de atacar alvos muito além do Iêmen e interromper rotas marítimas ao redor da península Arábica e do mar Vermelho, como fizeram em apoio ao Hamas em Gaza após o 7 de Outubro de 2023.

Com a abertura de uma nova frente no conflito, os houthis podem voltar a atacar navios no estreito de Bab al-Mandab, na costa do Iêmen, via marítima estratégica que controla o tráfego de embarcações em direção ao canal de Suez, e se assemelha em relevância global ao estreito de Hormuz, bloqueado por Teerã no conflito -e até aqui sua principal vantagem estratégica.

Rubio disse na sexta, antes do ataque dos houthis, que Washington está “dentro do prazo ou adiantada” e espera concluir as operações militares em “semanas, não meses”, emulando falas do presidente Donald Trump de que as ações militares do país seriam rápidas, o que não parece refletir a realidade no terreno apesar de pesadas baixas do lado iraniano.

O secretário de Estado americano também disse aos líderes do G7 na França que os países europeus e asiáticos que se beneficiam do comércio pelo estreito de Hormuz -canal para um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural- deveriam contribuir para os esforços de garantir a livre passagem.

Trump já disse anteriormente que essa falta de apoio na região tem implicações para a Otan, a aliança militar ocidental liderada por Washington, embora com rusgas crescentes entre os EUA e europeus.

“Sempre estaríamos lá para ajudá-los, mas agora, com base em suas ações, acho que não precisamos mais estar, não é mesmo?”, disse Trump em um fórum de investimentos em Miami na sexta. “Por que estaríamos lá para ajudá-los se eles não estão lá para nos ajudar? Eles não estavam lá para nos ajudar.”

A carta que fundamenta a Otan afirma que um ataque a um membro é um ataque a todos, prevendo ajuda mútua nesses casos. O artigo 5º da carta foi invocado apenas uma vez na história da aliança —pelos EUA, após os ataques às Torres Gêmeas, em 2001.

Rubio disse que os EUA poderiam alcançar seus objetivos sem tropas no terreno, mas reconheceu que estão enviando milhares delas para a região “para dar ao presidente o máximo de opções e oportunidades para ajustar as contingências, caso elas surjam”. Trump insiste que não vai precisar de uma invasão por terra para concluir seus objetivos, mas também descarta essa opção.

Washington enviou dois contingentes de milhares de fuzileiros navais para a região, o primeiro dos quais deve chegar nos próximos dias a bordo de um navio de assalto anfíbio. Espera-se também que o Pentágono envie milhares de paraquedistas de uma força de elite de prontidão.

Do lado iraniano, o regime denunciou neste sábado um novo ataque contra sua usina nuclear de Bushehr, o terceiro em dez dias nessa instalação no sul do país, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica. “Não foram relatados danos no reator ativo nem emissões de radiação, e as condições da usina estão normais”, informou a agência da ONU, citando autoridades iranianas.

Já do lado americano, as ocorrências somam 13 mortes e mais de 300 militares feridos desde o início da guerra. As Forças Armadas dos EUA informaram que 273 deles já retornaram ao serviço. Nesta sexta, ao menos 12 soldados ficaram feridos, dois deles gravemente, em um ataque militar iraniano à Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, segundo uma autoridade americana.

Sob ataques, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e Qatar estabeleceram acordos de cooperação de defesa com a Ucrânia, segundo anunciou o presidente do país, Volodimir Zelenski, em giro pela região.

O ucraniano afirmou dispor das defesas antidrones mais eficazes do mundo e, por isso, Kiev propôs trocar seus interceptores de drones por mísseis de defesa antiaérea -muito mais caros- que os países do Golfo têm utilizado para derrubar drones iranianos.

“A proteção deve ser suficiente para todos. Por isso, estamos abertos a um trabalho conjunto que, numa perspectiva estratégica, fortalecerá sem dúvida nossos povos e a proteção da vida em nossos países”, afirmou Zelenski.

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