[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O Índice Nacional de Confiança (INC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), recuou para 100 pontos em janeiro, o que indica neutralidade. Elaborada pela empresa PiniOn, a pesquisa do primeiro mês de 2026 interrompeu sequência de quatro altas seguidas. A queda foi de 2% na comparação mensal e anual. Índices abaixo de 100 indicam pessimismo e acima, otimismo. Segundo o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV-ACSP), o resultado reflete precaução do consumidor em relação a gastos.
Por um lado, o mercado de trabalho segue aquecido, com aumento do emprego e da renda. Além disso, o novo consignado e outras políticas de transferência de renda estimulam o consumo. No entanto, o economista observa que o “alto grau de endividamento das famílias” e a desaceleração econômica provocada pelos juros altos fazem com que as famílias sejam mais cautelosas.
De acordo com o INC [veja abaixo], houve melhora relativa da percepção das famílias em relação à situação financeira atual. As expectativas de renda e emprego pioraram. Isso resulta em “menor disposição relativa a comprar itens de maior valor, como carro e casa, e bens duráveis, como geladeira e fogão”. E diminui a propensão a investir. A pesquisa é elaborada com base em amostra de 1.679 famílias, em capitais e cidades do interior.
Ainda segundo o INC, a confiança cresceu nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sul e caiu no Norte e no Sudeste. Houve resultados diferentes também por classe socioeconômica: aumento de confiança na A/B e D/E e queda na C. Isso aconteceu ainda no recorte por gênero: homens mais confiantes e mulheres menos. Confira a série histórica.
VAREJO RECUA – O menor dinamismo na confiança do consumidor no ano passado também se refletiu nas compras. No ano passado, o varejo brasileiro apresentou queda real de 1%, apesar da alta nominal de 4,1% no faturamento ao longo do ano, segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). Descontada a inflação, este é o segundo ano consecutivo de queda no setor — em 2024, o recuo havia sido de 0,8%. Segundo Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo, o ano de 2025 mostrou sinais importantes. “O e-commerce manteve ritmo acelerado e ajudou a sustentar o varejo, enquanto categorias sensíveis à taxa de juros mostraram maior dinamismo.”
De acordo com ele, mesmo com a desaceleração dos preços na segunda metade de 2025, o alívio não foi suficiente para reverter o resultado negativo no acumulado do ano. Entre os macrossetores, os resultados foram majoritariamente negativos em termos reais. Serviços recuou 1,9%, com destaque para o fraco desempenho de Alimentação — Bares & Restaurantes. Em contrapartida, Turismo & Transporte tiveram resultados positivos, impulsionados pelo aumento do fluxo de turistas estrangeiros, abertura de rotas internacionais e realização de grandes eventos no país, o movimento positivo desses segmentos, inclusive, deve se manter em 2026.
O macrossetor de Bens Não Duráveis apresentou leve retração de 0,2% no ano. O resultado foi sustentado principalmente por Drogarias & Farmácias, enquanto Livrarias & Papelarias registraram as maiores quedas. Já Bens Duráveis e Semiduráveis foi o grupo com recuo mais intenso, de 2,6%, apesar do desempenho positivo de Móveis, Eletro & Departamentos, que ajudou a atenuar a queda. Óticas & Joalherias figuraram entre os destaques negativos.
No quarto trimestre, o enfraquecimento do consumo se intensificou. O ICVA apontou queda real de 1,8% no período. Serviços recuou 3,9%, enquanto Bens Duráveis e Semiduráveis registraram retração de 4,2%. Bens Não Duráveis mostraram maior resiliência, com leve crescimento real de 0,2%.
Em dezembro, o varejo apresentou retração real de 1,9%. O resultado foi influenciado por fatores pontuais, como o efeito calendário — com uma quarta-feira no lugar de um domingo em relação ao ano anterior — e pelo avanço do e-commerce, que cresceu 6% em termos nominais no mês. O varejo físico ficou praticamente estável, com alta nominal de 0,1%.
Entre os macrossetores, Serviços caiu 5,2% em termos reais, novamente pressionado por Alimentação — Bares & Restaurantes. Bens Não Duráveis cresceu 0,4%, puxado por Supermercados & Hipermercados, enquanto Bens Duráveis e Semiduráveis recuou 4,5%, apesar do desempenho positivo de Móveis, Eletro & Departamentos.