[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O IPCA, índice oficial de inflação do país, fechou 2025 em 4,26%, a menor taxa desde 2018 (3,75%), bem acima do centro da meta (3%), mas dentro da margem de tolerância fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que vai até 4,5%. Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, foi o quinto menor resultado em 31 anos – desde o Plano Real. O país teve IPCA menor apenas em 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018. O clássico arroz com feijão ficou mais barato, e as carnes, vilãs do ano anterior, ficaram praticamente estáveis. Foi o ano da inflação dos serviços, que passaram de 4,78%, em 2024, para 6,01% – 41% acima da inflação. Reflexo do aumento da renda. Comer fora ficou mais caro e o custo do transporte por aplicativos se multiplicou. E com pressão também dos preços monitorados (de 4,66% para 5,28%), como o da energia elétrica residencial, que subiu 12,31% e teve peso de 0,48 ponto percentual no índice total de 2025. Ou seja, sozinho, esse item representou mais de 11% da inflação anual.
O grupo Alimentação e Bebidas, que havia subido 7,69% em 2024, agora teve variação de 2,95%. Entre os vários itens, o preço do arroz caiu 26,56% (-0,20 ponto percentual) e o do feijão preto recuou 32,38% (-0,02 ponto). Também registraram queda produtos como batata (-13,65%), leite longa vida (-12,87%), azeite (-21,04%) e alho (-15,88%). Do lado das altas, o café moído subiu 35,65% (impacto de 0,18 p.p.), mas menos que em 2024 (39,60%). O lanche fora de casa ficou mais caro: de 7,56% para 11,35% (0,21 p.p.). E o chocolate em barra e bom subiu 27,12% (0,06 p.p.). No sentido oposto, o preço das carnes foi de 20,84% para 1,22% (0,03 p.p.)
Na inflação de serviços, vários itens ficaram acima de 2024. A alimentação fora do domicílio, por exemplo, passou de 6,29% para 6,97%. E o aluguel residencial, de 3,45% para 6,06%. O preço das passagens aéreas, que havia caído 22,2% no ano anterior, teve alta de 7,85% – diferença de 30 pontos percentuais. Ainda nessa atividade, o transporte por aplicativos aumentou 56,08%, ante 9,97% em 2024. Outros itens em alta foram mão de obra (7,41%), consertos&manutenção (6,84%), cabeleireiro&barbeiro (8,05%), pacote turístico (7,09%) e o combo cinema, teatro e música (7,02%). Subiram menos: condomínio (5,14%), estacionamento (6,42%), transporte escolar (4,23%), manicure (9,93%), TV por assinatura (4,28%) e serviços de streaming (6,37%). Na análise da XP, a alta dos serviços reflete taxa de desemprego no menor nível histórico e “métricas salariais em ascensão”. A expectativa é desaceleração gradual neste ano, para 5,3%.
Nos itens monitorados, além da energia elétrica residencial (de -0,37% para +12,31%), a taxa de água e esgoto subiu menos – de 5,17% para 4,50%. Isso aconteceu também com o gás de botijão (de 7,04% para 2,55%), enquanto o gás encanado subiu: de -1,28% para +2,21%. Ficaram acima de 2024 o ônibus urbano (2,83%) e o táxi (9,46%). Abaixo, metrô (2,83%), gasolina (1,85%) e plano de saúde (6,42%).

Agora, a expectativa fica em torno da primeira reunião de 2026 do Comitê de Política Monetária (Copom), nos próximos dias 27 e 28. Parte do mercado acredita que o corte da taxa de juros pode começar agora, mas ainda predomina a visão de que o Banco Central vai reduzir a Selic apenas a partir de março. Para o IPCA deste ano, a projeção mais recente do mercado é de 4,06%, conforme o Boletim Focus.