SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após considerar o plano dos Estados Unidos para acabar com a guerra no Oriente Médio inaceitável, o Irã enviou nesta quinta-feira (26) sua própria proposta a Washington com termos que, salvo uma reviravolta, não serão admitidos pelo governo de Donald Trump.
Este é o cenário nebuloso das negociações iniciadas pelo republicano por meio de interlocutores, notadamente o governo do Paquistão, buscando uma saída para a confusão econômica que o conflito que iniciou com Israel gerou.
Nebuloso porque ambos os lados contam histórias distintas. Trump voltou a ameaçaros iranianos. Estes, por sua vez, só admitiram na quarta (25) que estavam com o plano de 15 pontos do republicano em análise.
“Eles estão nos implorando para fazer um acordo, mas publicamente dizem que está só ‘olhando para nossa proposta’. ERRADO!!! É melhor eles levarem a sério agora, antes que seja tardiamente, porque quando aquilo acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será bonito”, escreveu com as usuais maiúsculas na rede Truth Social.
O “aquilo” em questão é o ataque ao sistema de energia do país persa, uma promessa para o caso de o Irã não reabrir o estreito de Hormuz feita em ultimato no sábado (21) que foi suspensa na segunda (23). Agora, o novo prazo é o sábado (28).
Trump então apresentou por meio do Paquistão seu plano, que incluía pontos já acomodados pelo Irã em negociações anteriores, como a renúncia à bomba atômica, mas também diversos itens inaceitáveis para os aiatolás, como o total desmantelamento de suas capacidades nucleares e de seu programa de mísseis ofensivos.
Segundo a agência Reuters, Teerã considerou a proposta “unilateral e injusta”, mas deixou a porta aberta para negociações. Por sua vez, a iraniana Tasnim informou que a teocracia já enviou, por meio de turcos e paquistaneses, sua visão maximalista para o fim do conflito.
Ela pede o fim da guerra, garantias concretas para evitar novos ataques e compensações pelos danos sofridos., Além disso, o Irã diz que vai manter o controle sobre Hormuz. A Tasnim não disse o que o Irã falou sobre seu programa nuclear, mas a posição do governo é conhecida até agora.
Para Trump, “os negociadores iranianos são muito diferentes e estranhos”, o que dá uma medida da disposição em campo.
Além dos eventuais ataques ao sistema energético, os EUA se preparam para a hipótese de ações terrestres, ou ameaçam isso.
Nesta sexta (27) deverá chegar à região o primeiro grupo de 2.500 fuzileiros navais em uma flotilha, enquanto outro deverá chegar até o fim da próxima semana. Há relatos de que até 2.000 paraquedistas de elite do Exército também podem ser mobilizados.
A especulação é de um ataque à ilha de Kharg, centro de exportação de 90% do petróleo do Irã, embora seja uma ação arriscada. Outra hipótese é tentar tomar trechos da costa de Hormuz, igualmente perigoso e insustentável no médio prazo.