Israel diz que matou homem-forte do regime do Irã

Uma image de notas de 20 reais

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo de Israel anunciou que matou em um ataque na madrugada desta terça-feira (17) Ali Larijani, considerado o principal operador do regime islâmico do Irã e o verdadeiro poder por trás da ascensão do novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei.

Segundo o ministro Israel Katz (Defesa), além de Larijani foi morto também Gholamreza Soleimani, comandante de uma das principais unidades paramilitares iranianas, a milícia Basij, responsável por reprimir protestos contra a teocracia.

O Irã ainda não se pronunciou. Após o anúncio de Israel, a conta de Larijani no X publicou uma nota escita à mão sem data pelo político na qual ele celebrava os marinheiros mortos por um ataque de um submarino americano contra uma fragata iraniana no oceano Índico.

Larijani, 67, é a figura mais importante a ser alvejada por Israel desde o primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, quando os ataques conjuntos lançados com os Estados Unidos mataram o pai de Mojtaba, Ali Khamenei, que comandava o país havia 37 anos.

Cerca de 40 lideranças militares e políticas da teocracia também foram mortas naquela onda inicial de ataques, da qual Larijani emergiu como o nome mais forte do regime. Ele era homem de confiança do antigo líder e chefe de seu Conselho de Segurança Nacional.

Imediatamente, assumiu o controle da comunicação do governo, suplantando o presidente Masoud Pezeshkian, que integrava uma trinca constitucional de transição até a escolha do novo líder. Isso ocorreu rapidamente, em uma semana, e Mojtaba foi eleito pela Assembleia dos Especialistas.

Houve queixas algo abafadas entre alguns dos 88 integrantes do colegiado acerca da falta de transparência do processo, conduzido com mão de ferro por Larijani para manter o edifício da teocracia em pé.

Larijani era muito próximo da estrutura da Guarda Revolucionária, incrustada em diversos aspectos da vida econômica e civil iraniana. Ele era amplamente visto como o fiador de Mojtaba, figura também próxima da Guarda, mas muito mais reclusa.

Há relatos, contudo, de que Larijani preferia um nome mais moderado para a liderança. Seja como for, o novo líder supremo, que não apareceu em público até agora, terá de lidar com uma nova estrutura de poder. Dada a natureza opaca do regime, é provável que outras figuras ocupem o vácuo, e hoje o maior cacife para estar com a linha-dura da Guarda.

O fato é que nem a presença de Mojtaba é uma certeza. Ele só fez um pronunciamento até aqui, na semana passada, e foi um texto lido pela mídia estatal. Segundo membros do governo, ele foi ferido no ataque em que seu pai e outros cinco membros da família morreram, mas está bem.

O presidente americano, Donald Trump, já colocou em dúvida essa versão. Na segunda (16), afirmou que não sabe se o líder “está vivo ou morto”. Já a agência Reuters disse que autoridades da chancelaria iraniana tiveram nesta terça a primeira reunião com Mojtaba, e que ele manteve a posição de não negociar com EUA e Israel agora.

Se confirmada a morte de Larijani, o processo de decapitação do regime promovido por Washington e Tel Aviv ganha novo capítulo.

Nele, a eventual morte de Soleimani, 61, ganha destaque porque a milícia Basij, parte da Guarda, é constituída pelos jovens mais ideológicos ligados ao regime. Foi ela que comandou a repressão aos atos contra a teocracia em janeiro, os maiores em 47 anos de regime, que deixaram milhares de mortos.

Nos ataques desta noite, segundo a mídia israelense e o New York Times, foi alvejado também o chefe da ala militar do grupo terrorista palestino Jihad Islâmica, Akram al-Ajouri, que está no Irã. Ele também morreu, segundo relatos iniciais ainda não confirmados.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, foi mais econômico do que Katz. Disse apenas que o político havia determinado “a eliminação de altas autoridades do regime iraniano”. Tanto ele quanto Katz já afirmaram que o novo líder iraniano também está marcado para morrer, dado que manteve a política do pai de pregar destruição do Estado judeu.

Voltar ao topo