SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Exército de Israel afirmou nesta quarta (11) ter lançado uma nova onda de ataques contra alvos do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute e prometeu agir com “grande força” na área. As forças afirmaram ter iniciado uma operação contra a infraestrutura do grupo extremista em Dahiyeh, onde a milícia apoiada pelo Irã exerce influência.
Em um comunicado, o porta-voz militar Avichay Adraee disse que as forças israelenses “em breve agirão com grande força contra as instalações, interesses e capacidades militares do Hezbollah” na área, após relatos de disparos de foguetes do Hezbollah em direção a Israel “nas últimas horas”.
Uma série de ataques atingiu o sul de Beirute na tarde desta quarta (noite no horário local), segundo correspondentes da agência de notícias AFP e da mídia estatal. Jornalistas relataram ter ouvido explosões por toda a cidade, enquanto imagens mostraram grandes explosões e fumaça cobrindo a área. A Agência Nacional de Notícias, organização estatal local, relatou pelo menos “seis ataques pesados” no sul da capital.
O Hezbollah, em contrapartida, afirmou ter lançado dezenas de foguetes contra Israel como parte da maior operação desde o início do conflito atual. Em comunicado, o grupo afirmou que, “em resposta à agressão criminosa contra dezenas de cidades e vilas libanesas e os subúrbios do sul de Beirute”, seus combatentes alvejaram alvos no norte de Israel.
O governo do Líbano informou que um ataque israelense no sul do país matou oito pessoas nesta quarta. Segundo a mídia estatal, a operação teve como alvo um prédio que abrigava famílias desalojadas.
“O ataque israelense à cidade de Tibnin, no distrito de Bint Jbeil, resultou em um balanço inicial de oito mortos”, disse um comunicado do Ministério da Saúde. Em paralelo, a Agência Nacional de Notícias afirmou que o número de vítimas inclui cinco membros de uma mesma família.
A guerra entre Israel e Hezbollah já deixou ao menos 634 mortos no Líbano em dez dias incluindo 91 mulheres e 47 crianças e 1.586 feridos, anunciou o ministro da Saúde libanês, Rakan Nassereddine.
O número total de deslocados internos registrados junto às autoridades chegou a 816 mil, dos quais 126 mil estão abrigados em centros de acolhimento, afirmou a ministra de Assuntos Sociais, Haneen Sayed, na mesma entrevista coletiva.
Ainda nesta quarta, cerca de vinte países que apoiam a força de paz da ONU no Líbano, juntamente com a subsecretária-geral da organização, Rosemary DiCarlo, apelaram para uma trégua entre Hezbollah e Israel. “Uma desescalada imediata e a cessação da violência são imperativas”, instou DiCarlo durante uma reunião do Conselho de Segurança convocada pela França e apoiada por outras nações.
DiCarlo apelou ao Hezbollah para que “cesse os seus ataques contra Israel” e “coopere” com o governo libanês, e a Israel para que “acabe com sua campanha militar no Líbano e retire as suas forças do território libanês”.
Em nome de ao menos 24 países entre eles, França, Alemanha, Portugal, Índia, Coreia do Sul e Espanha, o embaixador francês na ONU, Jérôme Bonnafont, instou Israel a “se abster de quaisquer ataques contra infraestruturas civis e áreas densamente povoadas e a respeitar a soberania e a integridade territorial do Líbano”. Os Estados ainda condenaram “a decisão irresponsável do Hezbollah de se juntar aos ataques iranianos contra Israel”.
O grupo libanês entrou na guerra em apoio ao regime iraniano, atacado pelos Estados Unidos e Israel no início deste mês. Donald Trump e Binyamin Netnayahu, presidente americano e premiê israelense, justificam os ataques ao Irã como uma forma de desmantelar o programa nuclear e promover uma mudança de governo no país persa. O líder supremo iraniano Ali Khamenei foi morto nos ataques e, dias depois, seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu a liderança do país.