[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Janela Bar, a maior franquia de coquetelaria do Brasil, já tem o horizonte definido para os próximos anos. Além da expectativa de alcançar R$ 45 milhões de faturamento este ano e crescer 45% frente 2024, a franqueadora quer saltar das atuais 30 unidades para 100 em cinco anos e começar a traçar o plano de internacionalização da marca. “Estamos olhando para Canadá, Argentina e Portugal”, disse o CEO Gustavo de Paiva em entrevista à AGÊNCIA DC NEWS. No momento, a empresa contorna a crise do metanol no estado de São Paulo – na semana em que os casos estouraram, o faturamento geral chegou a cair 20%. “Tivemos uma queda de mais ou menos 30% no consumo dos destilados”, afirmou.
A expansão internacional está planejada para iniciar entre 2026 e 2030. De acordo com o executivo, os mercados internacionais com maior potencial identificados são Argentina, por semelhanças culturais e gastronômicas, e Portugal, embora este último apresente desafios regulatórios que exigiriam adaptações no modelo de operação. O Canadá também foi considerado, porém com menor prioridade. “A gente olhou para esses lugares quando não estava pronto e pensamos ‘vamos fazer a lição de casa aqui primeiro’”, disse. Durante a ultima ABF Franchising Expo, promovida pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), a instituição apontou a internacionalização das franquias nacionais como uma tendência.
Original de Curitiba (PR), o Janela é a segunda tentativa de Paiva no ramo de food service. A primeira foi um rooftop de coquetelaria sofisticado que durou pouco mais de um ano, mas houve dificuldade de convencer o público curitibano sobre o ramo de coquetelaria, que em 2016 ainda era pouco comum. “Saímos com uma mão na frente e outra atrás”, afirmou. Até que encontraram a rua Prudente de Moraes, que hoje é um polo gastronômico da cidade. E o nome surgiu na hora: encontram um ponto que parecia uma janela. “Era um restaurante e tinha uma portinha que era um puxadinho do restaurante.” O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 90 mil.
Com a abertura do Janela Bar em 2017, redefiniram a proposta: o objetivo de oferecer coquetelaria de qualidade para a juventude por preços acessíveis, inicialmente a partir de R$ 15. Após reajustes durante os anos, hoje os drinks custam a partir de R$ 20. O drink mais procurado é o Russa Louca, um coquetel que mistura vodka, limão, xarope de morango e refrigerante artesanal de gengibre, similar a um moscow mule. O Janela alcançou sua meta. Paiva lembra quando o bar recebeu o prêmio Bom Gourmet, do jornal local Gazeta do Povo: “Eram só drinks em taças maravilhosas passando quando, de repente, um drink num copo de plástico”. Também passaram a experimentar no segmento de hambúrgueres, acompanhando a onda de smash burgers que surgia pelo país e, devido à pandemia, passaram a investir no delivery.
Foi durante o isolamento que começaram a analisar o universo do franchising. Inicialmente, o desejo dos três sócios era abrir unidades próprias, mas a pandemia segurou o caixa quase totalmente o que tinham de reserva. “A gente tinha um caixa legal, porque sempre pensamos com essa mente de expansão”, disse. Passaram quatro meses elaborando o projeto de franquia, e desde então são 30 unidades – querem fechar contrato de outras 15 ainda este ano. O Janela Bar está presente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. “E agora também pegamos outra marca e criamos o Grupo Rua.”
Paiva considera que o principal diferencial do Janela Bar é o custo-benefício, apresentando coquetéis de qualidade a preços acessíveis e um mix que combina bar, hamburgueria e delivery, oferecendo múltiplas frentes de faturamento. O valor inicial para investimento em uma unidade é a partir de R$ 350 mil, incluindo taxa de franquia, obras, equipamentos e marketing de inauguração. Segundo o executivo, o retorno médio do investimento ocorre em torno de 14 meses, com um recorde de retorno de seis meses em uma unidade em Paranaguá (PR).
METANOL – A crise do metanol afetou o consumo de destilados, com queda de cerca de 30% na primeira semana, resultando em uma queda de 15% a 20% no faturamento geral, principalmente nas unidades de São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), com menor impacto em Curitiba. Para minimizar o efeito, a rede intensificou a venda em categorias alternativas, como chopes e cervejas, e reforçou a comunicação sobre o uso de bebidas locais e seguras, realizando treinamentos para esclarecer dúvidas dos clientes e franqueados e reforçando a valorização dos produtores locais em sua marca.