SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Nunca antes nesse país uma primeira-dama desfilou na Sapucaí. Rosângela Lula da Silva, a Janja, será a primeira anfitriã do Palácio da Alvorada a desfilar por uma escola de samba do Rio de Janeiro. Janja estará em um carro alegórico da Acadêmicos de Niterói no domingo de Carnaval, 15 de fevereiro, no enredo que homenageará o presidente Lula (PT). O petista estará no camarote da prefeitura para assistir ao desfile.
“Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil” é o enredo da agremiação de Niterói, que retrata a trajetória do presidente desde sua infância até a chegada à Presidência da República .
Além da atual primeira-dama, a agremiação também presta tributo à ex-primeira-dama Marisa Letícia (1950-2017), que será representada pela atriz Juliana Baroni. Em 2012, Marisa desfilou em São Paulo pela Gaviões da Fiel, que apresentou o enredo “Verás que Um Filho Teu Não Foge à Luta Lula, o Retrato de uma Nação”, mas ela não era mais primeira-dama. O presidente havia concluído seu segundo mandato no ano anterior.
Outros presidentes, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, já foram homenageados em sambas-enredo, em 1956 e 1981, respectivamente. Ambos os desfiles foram comandados pela Estação Primeira de Mangueira e se deram na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, e na própria rua Marquês de Sapucaí, antes da construção do Sambódromo, inaugurado em 1984.
Além disso, outros mandatários foram representados como sátiras nos enredos da Sapucaí. A Acadêmicos de Niterói escalou o humorista Marcelo Adnet para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a apresentação de 2026, segundo o portal Metrópoles.
Em 2020, a Acadêmicos do Vigário Geral desfilou na série Ouro, a segunda divisão do carnaval carioca, com um carro alegórico que fazia alusão a Bolsonaro, pintado como palhaço. Já em 2018, foi a vez de Michel Temer, que foi satirizado pela Paraíso do Tuiuti num desfile do grupo Especial, a primeira divisão, em que aparecia como vampiro.
A primeira-dama Scylla Médici (1907-2003), esposa do general Emílio Garrastazu Médici, foi representada por um motivo inusitado pela União de Maricá em 2025, na série Ouro. O enredo “O Cavalo de Santíssimo e a Coroa do Seu 7”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, fazia homenagem à figura de Seu 7 da Lira, um Exu da umbanda carioca. A aparição do casal no desfile fez referência à crença popular de que a ex-primeira-dama teria incorporado a entidade na década de 1970.
Em 1996, a então primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008), esposa de Fernando Henrique Cardoso, foi homenageada pelo bloco Segura a Coisa, integrado por defensores da liberação da maconha, em Olinda (PE). Semanas antes, a então primeira-dama havia se manifestado a favor da descriminalização da maconha no Programa Livre, comandado por Serginho Groisman no SBT.
TSE
Nesta quinta-feira (12), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu rejeitar as representações contra o desfile em homenagem a Lula por propaganda eleitoral antecipada, mas alertou sobre possíveis ilegalidades no evento.
A presidente da corte, Cármen Lúcia afirmou que o do Carnaval não pode ser “fresta” para crimes eleitorais e que há um “risco muito concreto, plausível, de que venha acontecer algum ilícito” no caso, o que seria analisado pela Justiça Eleitoral.
“Esse não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais ser o cenário de areia movediça. Quem entra entra sabendo que pode afundar”, disse a presidente do TSE.