SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os juros futuros fecharam em forte alta nesta sexta-feira (20) ante os ajustes da véspera, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano no exterior e tensões envolvendo a guerra no Oriente Médio.
A taxa do DI para janeiro de 2028 avançou a 14,14%, com alta de 55 pontos-base ante o ajuste de 13,583% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 14,065%, com elevação de 13 pontos-base ante 13,93%.
As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.
O mercado de juros futuros está pressionado porque, com a alta das cotações do petróleo, a inflação no Brasil pode voltar a subir, forçando o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros em patamares elevados por mais tempo ou com cortes mais espaçados.
A instabilidade também reverbera no Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) e em títulos do Tesouro americano os Treasuries.
O rendimento do Treasury de dois anos que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo teve alta de 7 pontos-base, a 3,909%. Já o retorno do título de dez anos referência global para decisões de investimento subiu 10 pontos-base, a 4,384%.
Na quinta-feira (19), as taxas futuras oscilaram no Brasil, fechando sem direção única, na esteira da perda de força dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior.
Nesta manhã, no entanto, os rendimentos dos Treasuries voltam a exibir ganhos, em especial entre os contratos de curto prazo, o que deu suporte às taxas futuras também no Brasil. O movimento continuou durante o dia todo.
Durante o pregão, o foco esteve sobre planos dos EUA enviarem soldados para uma nova ação terrestre no Oriente Médio. A ideia seria tomar a ilha de Kharg para pressionar Teerã a reabrir o estreito de Hormuz, importante via de transporte do petróleo global.
A possibilidade aumentou a aversão ao risco entre os investidores, que temem uma escalada ainda maior do conflito. No Brasil, o dólar disparou 1,81% e encerrou a semana cotado a R$ 5,311, enquanto a Bolsa registrou tombo de 2,24%, com o Ibovespa marcando 176.219 pontos no fechamento.
Nesta semana, a instabilidade na curva de juros futuros levou o Tesouro Nacional a recomprar R$ 49 bilhões em títulos públicos, em uma tentativa de conter a volatilidade do mercado com a guerra no Irã.
Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, a operação foi preventiva e buscou conter uma sucessão de problemas no mercado de fundos de investimento e de renda fixa. A intervenção de recompra ofereceu uma porta de saída para fundos e outros agentes venderem seus ativos, afetados pela volatilidade.
O movimento do Tesouro, segundo os técnicos, foi feito para “limpar” o risco do mercado e evitar uma escalada ainda mais grave do quadro de instabilidade.