Juros futuros sobem com guerra no Irã e alta dos títulos do Tesouro americano

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os juros futuros iniciaram a sexta-feira (20) com altas firmes ante os ajustes da véspera, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano no exterior, com investidores monitorando o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.

Às 10h01, a taxa do DI (Depósitos Interfinanceiros) para janeiro de 2028 estava em 13,825%, com alta de 24 pontos-base ante o ajuste de 13,583% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,915%, com elevação de 10 pontos-base ante 13,819%.

As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

O mercado de juros futuros está pressionado porque, com a alta das cotações do petróleo, a inflação no Brasil pode voltar a subir, forçando o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros em patamares elevados por mais tempo ou com cortes mais espaçados. A instabilidade também reverbera no Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

O rendimento do Treasury de dois anos -que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo- tinha alta de 3 pontos-base, a 3,864%. Já o retorno do título de dez anos -referência global para decisões de investimento- subia 2 pontos-base, a 4,303%.

Na quinta-feira, as taxas futuras oscilaram com fortes altas no Brasil durante a maior parte do dia, mas viraram para o negativo na reta final acompanhando a perda de força dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior.

Nesta manhã, no entanto, os rendimentos dos Treasuries voltam a exibir ganhos, em especial entre os contratos de curto prazo, o que dá certo suporte às taxas futuras também no Brasil.

Nesta semana, a instabilidade na curva de juros futuros levou o Tesouro Nacional a recomprar R$ 49 bilhões em títulos públicos, em uma tentativa de conter a volatilidade do mercado com a guerra no Irã.

O conflito segue em curso no Oriente Médio, com Israel e Irã lançando novos ataques, em meio a relatos na imprensa de que o governo norte-americano cogita a tomada da ilha de Kharg para pressionar os iranianos a reabrirem o estreito de Hormuz –importante ponto de transporte do petróleo global.

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