BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) do Banco Central afirmou nesta quinta-feira (19), em ata da reunião realizada nos dias 11 e 12 de março, que a liquidação de instituições do grupo Master não gerou efeito em cadeia no sistema financeiro.
O colegiado do BC ressaltou a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro depois de os mecanismos de proteção associados ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) terem sido acionados.
Na última terça (17), o regulador decretou a liquidação do Banco Master Múltiplo, que desde novembro estava submetido ao regime de administração especial temporária.
Essa foi a última instituição do conglomerado Master a ser liquidada. No ano passado, o BC decretou a liquidação do Banco Master (líder do grupo), do Banco Master de Investimento, do Banco Letsbank, da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
O FGC oferece proteção a certos tipos de investimento, como CDBs (Certificado de Depósitos Bancários), até o valor de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Após prejuízos relacionados ao caso Master, a conta de valores a serem ressarcidos pelo fundo ultrapassou R$ 50 bilhões.
Na avaliação do Comef, ajustes nas regras feitos em 2023 e 2025 contribuíram para reduzir o número de instituições com elevada dependência de funding (captação de recursos) garantido pelo mecanismo.
Para recomposição do caixa do FGC depois das perdas com o Master, o BC divulgou no início do mês uma resolução permitindo o uso dos depósitos compulsórios para bancar a antecipação das contribuições, atendendo a um pleito dos bancos. A autoridade monetária estima que a medida possa resultar na recomposição de R$ 30 bilhões em 2026.
Na ata, o colegiado do BC também ressaltou que, no mercado de capitais, a maior utilização “de estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento pode dificultar a adequada avaliação de riscos.”
As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, dono do Master, teria transferido recursos do banco para o próprio bolso por meio de uma sofisticada engenharia financeira envolvendo a venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), falsos empréstimos a empresas controladas por laranjas e fundos de investimento.
O ex-banqueiro foi preso pela segunda vez neste mês, em nova fase da operação policial Compliance Zero, que também atingiu dois servidores do BC.
O grupo Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do sistema financeiro nacional, segundo o BC. O conglomerado era classificado pelo regulador como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial de 0,1% a 1% do PIB (Produto Interno Bruto).