Lista de credores da Fictor tem Amex, autor Augusto Cury, Palmeiras e Confederação de Atletismo

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A lista de credores incluídos no pedido de recuperação judicial da Fictor envolve uma extensa gama de investidores, empresas que operam no mercado financeiro, ex-sócios e empresas esportivas que fecharam contratos de publicidade com a firma, como o Palmeiras.

A American Express Brasil é a empresa com o maior volume de recursos a receber entre os credores da Fictor, segundo documento protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo neste domingo (1). A gigante de pagamentos tem um saldo que supera os R$ 893,1 milhões.

A Sefer Investimentos DTVM, uma gestora de ativos do mercado financeiro, é a segunda maior credora, com R$ 430 milhões. A companhia foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master.

Em seguida estão credores pessoa física, como o empresário e ex-sócio da Fictor Luiz Phillippe Gomes Rubini, com R$ 34,4 milhões, e o psiquiatra e escritor Augusto Jorge Cury, com R$ 31,5 milhões.

Segundo o documento, Cury rescindiu uma SCP (sociedade em conta participação) com a companhia, tipo de contrato em que uma empresa gerencia um projeto específico e sócios participantes aportam capital no negócio. O modelo de negócios era uma das marcas da Fictor e passou a ser questionado no mercado nas últimas semanas.

Além deles, integram a lista a consultoria Alarcon Select (R$ 16,4 milhões), dois fundos de investimentos em direitos creditórios Kadesh que somam R$ 25 milhões, Thaís Seixas Cardoso (R$ 13,5 milhões) e Luis Marcelo Carvalho de Oliveira (R$ 10,9 milhões).

A Fictor faz parte de um conglomerado que possui negócios em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. O grupo, fundado em 2007, diz que tem cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

O Palmeiras e a Confederação Brasileira de Atletismo entraram na lista de credores da Fictor com uma dívida que soma R$ 3 milhões.

O contrato do clube de futebol com a companhia foi assinado em março do ano passado e prevê o pagamento de R$ 25 milhões por ano até 2028. Pela lista de credores protocolada na Justiça, o Palmeiras deverá receber R$ 2,6 milhões na recuperação judicial.

Consultado, o Palmeiras disse que tomou ciência do pedido na manhã desta segunda-feira (2), por meio da imprensa.

“O caso está sob análise do departamento jurídico do clube para que sejam adotadas as medidas pertinentes”, afirma o clube em nota.

Segundo a lista de credores da Fictor, a dívida com o Palmeiras foi classificada como de patrocínio. Não existem mais indicações do que seria exatamente o contrato.

No ano passado, o clube paulista assinou patrocínio master com a Fictor para estampar o alto das camisas dos times masculino e feminino até 2028. Pelo contrato divulgado à época, seriam pagos R$ 25 milhões por ano com a possibilidade de chegar a R$ 30 milhões dependendo de bônus por metas atingidas.

O pedido de recuperação judicial, que tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), elenca uma dívida de R$ 4,2 bilhões com mais de mil de credores.

Além do Palmeiras, a Confederação Brasileira de Atletismo (Cbat) também integra a lista, com uma dívida de R$ 500 mil. O contrato com a Confederação foi anunciado em novembro do ano passado e envolvia o pagamento de R$ 21 milhões até março de 2029.

À época, a informação divulgada era de que o dinheiro sairia das subsidiárias de alimentação e infraestrutura da Fictor, que não foram incluídas na recuperação do grupo.

“A Cbat tomou ciência do assunto pelas notícias do dia. Havia participado de uma reunião com os representantes da empresa anteriormente, está aguardando e não tem nenhuma posição oficial. Não houve nenhum comunicado de quebra de contrato”, disse a entidade em nota.

A classe de quirografários (sem garantias reais) é onde está a maior parcela da dívida declarada, somando R$ 4,1 bilhões.

ENTENDA O CASO

No pedido de recuperação feito neste domingo (1), a Fictor solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias. Segundo a companhia, isso reduziria o risco de “corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”.

Em novembro do ano passado, o Banco Master chegou a anunciar que seria comprado pela Fictor. Isso aconteceu um dia antes de o banco ter sua liquidação anunciada. A operação acabou barrada pelo Banco Central. Atualmente, Master e o resto de seu conglomerado financeiro, como o Will Bank e o Letsbank, estão em processo de liquidação.

À Justiça, a Fictor afirma que o escândalo gerado com a liquidação do Master afetou os negócios e gerou uma corrida de saques das contas pelos investidores.

Segundo o advogado Carlos Deneszczuk, que defende a companhia, o objetivo da recuperação é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas de um processo recuperacional, impossibilitando as atividades do grupo como um todo.

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