Lula abre palanque para Haddad e diz que prefeitos de SP são mal recebidos por Tarcísio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) citou críticas de prefeitos ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no mesmo dia em que deve anunciar oficialmente a escolha de Fernando Haddad como pré-candidato ao Governo de São Paulo.

Lula e Haddad participam nesta quinta (19) de uma série de agendas em São Paulo, que marcam a despedida do ministro da pasta da Fazenda e o começo da campanha contra Tarcísio. O presidente também apresentou Dario Durigan como substituto de Haddad no governo federal.

“Pelo que estou sabendo, os prefeitos de São Paulo são pouco e mal recebidos pelo governo do estado”, disse Lula, ao cutucar Tarcísio, na abertura da Caravana Federativa, evento de ações do governo federal, na Expo Center Norte, na zona sul da capital paulista.

Organizadas pela SRI (Secretaria de Relações Institucionais), atualmente chefiada pela ministra Gleisi Hoffmann (PT), essas caravanas são eventos itinerantes realizados desde 2023 com o objetivo de “levar aos estados e municípios representantes de órgãos federais, facilitando o diálogo com gestores públicos”.

Segundo o governo, as caravanas já aconteceram na Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Tocantins, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Amapá, Piauí e Pará. A iniciativa faz parte do Portal Federativo, que busca aprimorar as relações entre União e os demais entes da federação.

Mesmo sem citar nominalmente Tarcísio, o presidente fez referência a uma das queixas mais comuns de prefeitos paulistas, de que não estariam recebendo recursos para investimentos. Durante o evento, no qual esteve acompanhado de 15 ministros, Lula declarou que os prefeitos “não devem ter medo de cobrar” do presidente e de governadores.

O petista cumprimentou os “pretendentes a algum cargo nas eleições aqui presentes”. Antes da fala de Lula, Haddad confirmou que está deixando o ministério.

O presidente disse que o momento econômico do país “poderia ser melhor, se a gente não fosse pego de surpresa por uma guerra”.

“Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã. Eu mesmo não concordo. Mas a gente precisa respeitar a autodeterminação dos povos, a integridade territorial do países. A gente não pode ter alguém levantando de manhã e falando ‘eu vou tomar a Groenlândia, eu vou tomar o Canal do Panamá, eu vou tomar Cuba, eu vou tomar Venezuela’”, disse.

Lula também lembrou da participação do Brasil na tentativa de assinatura de um acordo com o Irã sobre armas nucleares, em 2010. O presidente fez críticas à atuação dos EUA e de países europeus à época.

“Quando eu pensei que Brasil e Turquia, que fizeram o acordo com o Irã, iam ganhar o Prêmio Nobel da Paz, o que aconteceu? Os Estados Unidos e a União Europeia aumentaram o bloqueio. Eu entendi que isso aconteceu porque o Brasil não faz parte da elite de países do Conselho de Segurança da ONU.”

Em seguida, Lula citou um artigo do jornalista Clóvis Rossi, publicado na Folha de S.Paulo em 2013, que mostra a “diferença entre o acordo do Brasil e o bloqueio americano”, segundo o presidente.

HADDAD

Haddad deve anunciar sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo, ao lado do presidente, em uma entrevista marcada para as 19h no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, berço político de Lula.

“É um dia muito especial, porque estou deixando o ministério da Fazenda”, declarou Haddad na abertura da Caravana Federativa na Expo Center Norte, em São Paulo.

O titular da Fazenda resistiu, durante meses, a ser o candidato do PT em São Paulo, alegando preferir coordenar a campanha do presidente à reeleição. No entanto, aceitou se lançar novamente ao governo estadual após muita insistência de Lula.

“Política às vezes parece uma guerra, mas eu quero dar aqui o testemunho de que o presidente [Lula] mandou que nós olhássemos para o que interessa à população”, disse Haddad.

No evento, o ministro foi elogiado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. “Você tem uma das raras virtudes da vida pública: a coragem da moderação”, disse.

“Haddad passará para a história como o ministro da Fazenda mais exitoso da história deste país por ter aprovado uma reforma tributária que estava parada havia 40 anos”, declarou Lula.

O presidente pediu que Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda, se levantasse e o confirmou como novo ministro da pasta. “Olhem bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, disse.

Antes de anunciar formalmente sua pré-candidatura, Haddad ainda participará de uma agenda com Lula na UFABC (Universidade Federal do ABC), uma homenagem ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica (1935-2025).

Também é esperado que Lula e Haddad sinalizem a pré-candidatura da ministra Simone Tebet (Planejamento) ao Senado por São Paulo. Tebet é filiada ao MDB pelo Mato Grosso do Sul e deve alterar não só o seu domicílio eleitoral como também trocar de partido –o PSB é apontado como o destino mais provável.

José Adinan Ortolan, presidente da AMPPESP (Associação dos Municípios de Pequeno Porte do Estado de São Paulo), fez um breve aceno à pré-candidatura de Tebet na Expo Center Norte. “Nossa nova conterrânea, Simone Tebet. Seja bem-vinda”, disse.

Estiveram também presentes na abertura da Caravana Federativa os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Marina Silva (Meio Ambiente), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Margareth Menezes (Cultura), Luiz Marinho (Trabalho), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Márcio França (Empreendedorismo), Luciana Santos (Ciência), Gustavo Feliciano (Turismo) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).

A presença massiva de ministros foi costurada pelo Palácio do Planalto para que houvesse unidade em torno de Haddad.

Segundo o último Datafolha, Tarcísio de Freitas apresenta 44% da preferência do eleitorado, enquanto Haddad tem 31% dos votos na simulação de primeiro turno.

Haddad enfrentou Tarcísio na disputa ao governo paulista em 2022 e, apesar de derrotado no segundo turno, conquistou um resultado importante para reduzir a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro (PL) a nível nacional e garantir a eleição do petista.

A aposta do PT é em manter ou reduzir ainda mais essa diferença no estado, que representa o maior colégio eleitoral do país.

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