Lula e Von der Leyen falam em vitória do multilateralismo com acordo UE-Mercosul

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebraram nesta sexta-feira (16) o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia como uma vitória do multilteralismo e do entendimento entre países.

Em seus discursos, reforçaram que a parceria e a confiança entre países geram desenvolvimento econômico e social. O tratado ganhou peso geopolítico diante das tarifas de Donald Trump e sua renovada ofensiva contra o multilateralismo.

“Este é o poder da parceria e da abertura”, afirmou von der Leyen. “É o poder da amizade e do entendimento entre povos e regiões. E é assim que criamos prosperidade real, a prosperidade que é compartilhada”.

O acordo será assinado neste sábado (17) no Paraguai, que assumiu a presidência do Mercosul no início do ano. O presidente Lula não irá à cerimônia e aproveitou o evento desta sexta no Rio para tirar uma foto ao lado das autoridades europeias.

“Esta é uma parceria baseada no multilateralismo”, disse o presidente da República. “Reafirmamos nosso pleno respeito a todos os pactos internacionais que assumimos nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio.”

O nome de Trump não foi citado por nenhum dos dois representantes. Mas o presidente americano tem desafiado o multilateralismo com medidas unilaterais de comércio e ameaças. Tem movido uma campanha contra a Europa, ao ameaçar ocupar a Groenlândia.

“Este acordo de parceria vai além da dimensão econômica”, prosseguiu Lula. “A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos.”

“Queremos um mundo que seja guiado por confiança e trabalho de equipe”, afirmou von der Leyen.

O acordo, cujas negociações duraram cerca de 25 anos, cria um bloco comercial com 700 milhões de consumidores. Para entrar em vigor, depende da aprovação no Parlamento Europeu e nos congressos dos países membros do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

O governo brasileiro espera aprovar o tratado ainda no primeiro semestre, para que os novos termos comerciais comecem a vigorar ainda em 2026.

Tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos serão eliminadas. De acordo com as estimativas europeias, as exportações para o Mercosul poderão aumentar até 39% e garantir 440 mil postos de trabalho no continente.

Os termos, porém, enfrentam resistências em países como a França, que convive com protestos de agricultores contra a abertura a produtos agrícolas do Mercosul. No Brasil, o agronegócio é visto como um dos setores mais beneficiados.

Antes da cerimônia no palácio do Itamaraty, o presidente Lula esteve em um evento para comemorar os 90 anos do salário mínimo, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro.

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