PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu na manhã desta sexta (13) que políticos antissemitas se tornem inelegíveis. A declaração foi dada no jardim do Palácio do Eliseu, onde o francês plantou um carvalho em homenagem a uma vítima de um crime de ódio contra os judeus ocorrido 20 anos atrás.
“Para o futuro, desejo que uma pena de inelegibilidade obrigatória seja instituída para os atos e declarações antissemitas, racistas e discriminatórias”, discursou Macron. “Em 20 anos, a hidra antissemita não parou de progredir. Ela se imiscuiu em cada interstício da nossa sociedade”, acrescentou.
O presidente francês referiu-se aos atentados do Hamas de 7 de outubro de 2023 em Israel como um pogrom, termo que vem da palavra russa para “destruição”, usado para descrever massacres contra judeus desde o século 19.
Macron também denunciou “o antissemitismo de extrema-esquerda que disputa com o de extrema-direita” e “o antissemitismo que utiliza a máscara do antissionismo para progredir sem alarde, que, numa inversão histórica vertiginosa, pretende fazer dos judeus genocidas”.
Críticos do governo do premiê Binyamin Netanyahu acusam Israel de cometer genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em 2023. A fronteira entre essas críticas e o antissemitismo tem sido motivo de constante controvérsia na política francesa.
O principal partido da ultraesquerda francesa, A França Insubmissa (LFI), e seu líder, Jean-Luc Mélenchon, são constantemente acusados de antissemitismo, pecha que rejeitam. Mas personalidades de outros partidos, como o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin, pré-candidato à presidência na eleição de 2027, também já se referiram às ações israelenses em Gaza como genocídio.
Plantar um carvalho, árvore conhecida pela longevidade, foi a forma escolhida por Macron para homenagear Ilan Halimi, sequestrado, torturado e morto aos 23 anos, em 2006, por uma quadrilha que ficou conhecida como “a gangue dos bárbaros”.
Vendedor em uma loja de celulares, Halimi foi encontrado agonizante três semanas após seu sequestro no porta-malas de um automóvel, com inúmeros hematomas, cortes e queimaduras. Ele morreu horas depois no hospital.
O chefe da quadrilha, Youssouf Fofana, foi preso dias depois na Costa do Marfim, país de origem de seus pais. Ele confessou que buscava uma vítima judia “porque eles são forrados de grana”. Em 2009, Fofana foi condenado à prisão perpétua. Outros envolvidos foram condenados a penas entre seis meses e 18 anos de prisão, conforme a participação no crime.