Macron envia porta-aviões, e britânicos abatem drones do Irã

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mesmo com a oposição à guerra de Donald Trump e Binyamin Netanyahu contra o Irã, os governos da França e do Reino Unido estão crescentemente envolvidos com o impacto da operação iniciada no sábado (28).

Nesta terça-feira (3), o presidente francês, Emmanuel Macron, ordenou o deslocamento de seu porta-aviões de propulsão nuclear, o Charles de Gaulle, com uma escolta de fragatas para o Mediterrâneo oriental, junto ao teatro de operações. O navio está hoje participando de exercícios no norte europeu, devendo levar de uma a duas semanas para chegar.

Macron criticou a guerra de forma mais incisiva do que já vinha fazendo. Afirmou que “a França não pode aprovar as ações militares” de Washington e Tel Aviv, e que o espraiamento do conflito pelo Oriente Médio “tem sérias consequências para a paz e a estabilidade”

Ele também disse que a ideia de emprego de forças terrestres americanas no Irã, ventilado por Trump na véspera, seria “um escalada grave e um erro estratégico”.

Além disso, Paris já havia enviado um número incerto de caças Rafale para a base de Al-Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, um dos pontos mais alvejados pela retaliação de Teerã na região.

A missão dos aviões será a de abater drones e mísseis do Irã que ameacem o dispositivo francês no aeródromo, também usado pelos americanos, e outras instalações francesas no país.

Localizado em Abu Dhabi, o complexo da França foi aberto em 2009 a partir de um pacto de defesa, que Paris também tem com o Kuwait e o Qatar para o posicionamento de tropas. O maior contingente, cerca de 900 militares, está nos Emirados. Todos os países são objeto de retaliação de Teerã por abrigarem forças americans.

O envio do Charles de Gaulle, disse Macron, serve também para “mostrar solidariedade” aos parceiros no Oriente Médio.

Os franceses também vão posicionar ao menos uma fragata e equipamentos de defesa antiaérea em Chipre, onde uma base britânica foi alvo de ataques com drones na segunda (2).

O mesmo será feito por Londres, que anunciou o deslocamento de uma fragata e helicópteros equipados com sistemas antidrones. Na véspera, a Grécia, que tem um acordo militar com Paris e é a fiadora do regime pró-Atenas de metade da ilha, havia enviado quatro caças F-16 e duas fragatas.

Um dos drones lançados contra a base de Akrotiri chegou a atingir a pista do local, causando poucos danos. Britânicos, gregos e franceses integram a Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, e a porção grega de Chipre faz parte da União Europeia.

As forças de Londres, cujo premiê Keir Starmer tem sido atacado por Trump por não ter permitido o uso de suas bases no entorno do Oriente Médio por bombardeiros americanos, viram ação devido à guerra também nesta terça.

No primeiro engajamento de um caça F-35B do país, drones iranianos foram destruídos sobre a Jordânia. No Iraque, uma unidade de guerra eletrônica derrubou aviões-robôs, e no Qatar um caça Eurofighter Typhoon também abateu um drone. Antes, um avião do mesmo modelo já havia feito o mesmo no emirado no fim de semana.

São operações caríssimas. Presumindo o uso de um míssil ar-ar simples, semelhante ao AIM-9 americano, é uma arma até 20 vezes mais cara que os drones iranianos a serem abatidos, fora o custo da hora-voo de aeronaves avançadas.

São, de todo modo, operações pontuais por ora. Teerã conta com a ampliação da guerra para tentar desgastar ainda mais politicamente Trump junto a seus aliados nominais —Netanyahu já visto como vilão na Europa.

O risco dessa tática é empurrar mais países para a coalizão contra si, claro, com o impacto imprevisível sobre a segurança global citado por Macron.

O francês, que enfrenta um agônico fim de mandato até 2027, busca protagonismo no cenário europeu. Na véspera, ele anunciou a montagem de um escudo com armas nucleares de seu país que pode incluir vizinhos como a Alemanha para tentar garantir a segurança continental em tempos de turbulência.

A guerra no Irã catalisou o processo mas ele nasceu com a invasão russa da Ucrânia em 2022 e cresceu com desengajamento de Trump da defesa de seus aliados. Nesta terça, o chanceler russo, Serguei Lavrov, criticou o fato de que a o ambiente belicoso levará mais países a ter armas nucleares, o que é um perigo em si.

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