Maha Capital estuda comprar controle da Odebrecht em campos de petróleo da Venezuela

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A sueca Maha Capital, que tem como acionista majoritário a gestora brasileira Starboard, avalia a possibilidade de exercer uma opção de compra em um campo de petróleo na bacia de Maracaibo, na região noroeste da Venezuela, onde hoje opera a joint venture Petrourdaneta, controlada pela estatal venezuelana PDVSA e a Odebrecht E&P Espanha (OE&P), uma subsidiária da Novonor.

A PDVSA detém 60% dos campos, enquanto os outros 40% pertencem à OE&P. Desde 2023, a Maha detém participação majoritária na subsidiária da Novonor e adquiriu, de forma indireta, 24% da Petrourdaneta. À época, a Maha desembolsou US$ 5 milhões pela fatia da Novonor com a opção de comprar a totalidade das ações por mais US$ 5 milhões no futuro.

A companhia tem até maio para definir se entrará no negócio por completo ou se seguirá com os 24% que possui agora com os três campos em Maracaibo. Internamente, a Maha foi pega de surpresa com o ataque dos EUA na Venezuela e a queda do regime de Nicolás Maduro, mas a avaliação é que o potencial do negócio ganhou outra dimensão.

Ainda assim, a operação ainda é vista como um risco. Os entraves envolvem as questões regulatórias em torno da exploração de petróleo no país e, principalmente, quais serão as posições adotadas pelos Estados Unidos em relação a empresas de outros países que forem operar na Venezuela, que segue com sanções econômicas pelos EUA.

“Como teve muita coisa que aconteceu e ainda existe muita volatilidade, temos que esperar os próximos dias, entender qual será a diretriz dessa relação Estados Unidos e Venezuela, ou seja, se vai continuar existindo as sanções, se a gente vai poder operar em compliance esses campos. Entendendo esse panorama, eu acho que a gente vai ter mais condição de tomar essa decisão sobre o exercício da call option ou não”, diz o CEO da Maha, Roberto Marchiori.

“No limite, a gente poderia exercer a compra e depois achar um novo parceiro estratégico, vender talvez para algum outro player ali perto. Dependendo do que acontecer no ambiente legal, regulatório, você pode ter condições diferentes do que a gente está imaginando hoje, por isso é importante a gente pensar qual é o melhor cenário”, diz Marchiori.

Marchiori explica que a companhia sueca trabalha alinhada às regras de compliance estabelecidas pela política norte-americana. Durante o governo Joe Biden, os EUA sinalizaram a possibilidade de liberar a exploração de petróleo por empresas estrangeiras, e em março de 2024, a Maha pediu autorização para operar regularmente na Venezuela.

Com a mudança para a gestão Donald Trump, o governo suspendeu todas as análises de licença em andamento na Ofac (o escritório de ativos estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA). Posteriormente, somente a Chevron obteve aval para operar diretamente.

Em outubro do ano passado, a Maha reposicionou sua estratégia de mercado e anunciou fusão com a Keo, uma fintech americana que tem licença da American Express para atuar no segmento de soluções de pagamento e financiamento. Ao longo do ano, a companhia realizou uma série de desinvestimentos em ativos de óleo e gás para adequar sua operação ao novo negócio.

Agora, com a possibilidade de operar de fato os campos da Petrourdaneta, a companhia discute se manterá uma sinergia entre os negócios de fintech e petroleira, ou se vai vender sua participação na joint venture com a PDVSA.

“A gente quer exercer a compra e ser uma operadora de petróleo e uma fintech? Acho que não. Acho que a gente poderia simplesmente exercer a compra rapidamente e vendê-la”, complementa Marchiori.

Por ora, apesar da nebulosidade em torno do futuro da Venezuela, a compra feita em 2023 é vista como uma possibilidade de retorno extraordinário para a companhia.

Neste momento, a Petrourdaneta produz cerca de 2.000 barris por dia, mas a Maha projeta que o campo possa chegar a cerca de 40 mil barris por dia nos próximos quatro anos, com potencial de valor de mercado em torno de US$ 750 milhões.

Nesta segunda-feira (5), o mercado reagiu positivamente ao cenário da companhia e as ações listadas na bolsa de Estocolmo subiram 13%.

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