BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado, disse que a empresa não era de fachada, não tinha investidores ocultos e foi penalizada por ser “grande e independente”.
As declarações foram dadas em depoimento nesta quarta-feira (11), na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, no Senado Federal. Ele acrescentou que a gestora funcionava no modelo de “partnership”, ou seja, com vários sócios e que todas essas informações são públicas.
“Todos esses dados estão disponíveis no site da companhia, que é uma companhia aberta, ou seja, a gente presta regularmente informações ao mercado, a CVM [Comissão de Valores Mobiliários], a B3 [Bolsa de Valores brasileira] e ao Banco Central. Nós éramos auditados por uma empresa internacional”, disse.
Ele confirmou que o Master era cliente da gestora, assim como “cerca de sete ou oito instituições financeiras”.
Mansur também afirmou que a gestora trabalhou “de forma muito diligente e consciente”, mas que “infelizmente passou um rolo compressor”, ao ser questionado sobre as suspeitas de seu envolvimento com o crime organizado, com as quais disse não ter nenhuma ligação.
A Reag foi um dos alvos das investigações da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em agosto de 2025, que apura a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro.
Investigadores alegam que a gestora foi implicada em um esquema criminoso para ocultação de lucros ilícitos por meio de veículos de investimento há muito utilizados pela elite brasileira devido a sua discrição e isenções fiscais.
O empresário disse que escolheu o nível de governança “mais alto possível”, com um conselho de administração independente e com nomes de referência no mercado, operações claras e muito transparentes.
“Nosso departamento de compliance era muito forte, tinha 12 pessoas, o que não é normal numa companhia do mesmo segmento, e 18 pessoas no departamento jurídico”, disse, afirmando que não exerce mais nenhum cargo na empresa.
Ele disse que a companhia, até agosto, tinha cerca de 800 funcionários, e aproximadamente 700 fundos, distribuídos em cerca de 300 a 350 grupos empresariais de famílias brasileiras de todos os estados.
Também afirmou que os fundos foram criados no Brasil e no mundo para a democratização de investimentos.
A Reag Trust, instituição financeira que administra fundos de investimento, teve sua liquidação decretada em janeiro pelo BC. A liquidação foi decretada um dia depois de a PF deflagrar a segunda fase da operação Compliance Zero, que apura a atuação de fundos de investimento que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master e na qual Mansur foi alvo.
A Reag atua na custódia e na administração de ativos. Custódia é a intermediação entre investidor e Bolsa de Valores. Os custodiantes são responsáveis pelo controle e conciliação diária das posições nas carteiras de investidores, assegurando que tudo esteja devidamente registrado em nome do investidor. Normalmente, este serviço é prestado pelas próprias corretoras, mas pode ser terceirizado.
Já a administração é a zeladoria de fundos de investimento. Segundo a CVM, são obrigações do administrador contratar, em nome do fundo, com terceiros, os serviços de tesouraria, controle e processamento dos ativos, escrituração das cotas e auditoria independente.
Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a Reag tinha R$ 352 bilhões sob administração em novembro, o que a colocava na 11ª posição no ranking nacional de administradoras de recursos.
Já no site oficial da empresa, a Reag informava ser responsável pela administração de 625 fundos.